SOBRE O AUTOR
![]() | Marco Lamas |
| Empreendedor | Gestor, formador, orador e Professor Ensino superior | Empreendedorismo e Estratégia | |
O processo Empreendedor e a criação de empresas |
| Autor: Marco Lamas | |||
| Segunda-feira, 28 Novembro 2011 12:39 | |||
O processo empreendedor é sustentado por toda uma atividade empreendedora, seja na criação de empresas, lançamento de novos produtos ou serviços ou ainda a expansão e internacionalização de empresas. Neste artigo vamos centrar-nos na criação de empresas; ela é constituída por cinco fases: - a cultura empreendedora; Este é um processo em espiral que não tem fim e se vai retro alimentando.
Acreditando, como tenho referido recorrentemente, que todos podem ser empreendedores, considero esta primeira fase do processo empreendedor – a cultura empreendedora –, é crucial. É necessário, pois, criar condições para desenvolver competências empreendedoras. Uma percentagem pequena da população nascerá certamente com mais aptidão para o empreendedorismo, mas uma percentagem muito maior poderá desenvolver competências empreendedoras através da educação, da formação e mesmo da experiência profissional e, ainda, do relacionamento próximo com outros empreendedores (tutoria) bem como no envolvimento num ambiente empreendedor; assim se vai construindo a cultura empreendedora. A ideia é fundamental. A criatividade é essencial. No entanto, é preciso partir da criatividade para a inovação; o binómio criatividade/inovação é determinante. Temos que garantir que a ideia é uma oportunidade, isto é, que o produto ou serviço que criamos são uma resposta a uma necessidade do mercado. Só assim podemos garantir o sucesso. A fronteira entre a ideia e a oportunidade é a fronteira entre a criatividade e inovação; o que as separa é o facto de ser uma resposta a uma lacuna, uma necessidade dos consumidores ou não, isto é, haver espaço no mercado para a ideia ou não. Quando falo de inovação não me refiro apenas à inovação radical, isto é, algo absolutamente novo, refiro-me igualmente à inovação que pode ser apenas a melhoria de algo já existente – a reformulação criativa de algo já existente. Lembro ainda que a inovação pode acontecer quer ao nível da conceção do produto e/ou serviço, quer na gestão da empresa, no Marketing, na distribuição, isto é, em qualquer área. Na fase do projeto ou plano de negócios, impõe-se planificar a criação, a sustentabilidade e o crescimento da empresa/projeto. Para isso, deve ser elaborado um plano de negócios, o planeamento da empresa, que tem como principais objetivos: - testar a viabilidade de um conceito de negócio; O seu público-alvo é: a) a nível interno: a equipa de gestão e restantes colaboradores; b) a nível externo: potenciais investidores, parceiros e outros stakeholders. Podendo concluir que o projeto é viável, o promotor dever seguir para o passo seguinte; não o sendo, os promotores não devem desistir, mas sim partir para outro projeto, ou retomar o mesmo quando estiverem reunidas as condições necessárias. Concluindo, o plano de negócios é uma ferramenta de gestão fundamental; é uma ferramenta dinâmica, um guia que deve ser atualizado constantemente, pois tanto o ambiente interno como externo de uma empresa está constantemente a alterar, principalmente na sociedade atual em que vivemos. O plano de negócios tem inúmeras vantagens para a gestão de uma empresa; permite avaliar a viabilidade do projeto, planificar, acompanhar, monitorizar e retificar; permite, ainda, atrair recursos financeiros bem como transmitir credibilidade. O processo de elaboração do plano de negócios é por isso fundamental. Mesmo que esteja garantida a cultura empreendedora, e uma ideia que corresponda a uma oportunidade e a um plano de negócios já elaborado, não está ainda garantida a criação de uma empresa. Faltará ainda reunir os recursos necessários – recursos humanos, materiais e financeiros. O promotor pode realizar o investimento com recurso a capitais próprios ou ainda recorrer a terceiros. Com o plano de negócios, podem agora os promotores recorrer ao financiamento de terceiros (Banca, Business Angels, Capital de Risco ou sistemas de incentivos). Neste âmbito, terão ainda que ser garantidos os recursos humanos e materiais necessários; um bom empreendedor sem uma boa equipa não se basta a si próprio e sem os materiais ou equipamentos necessários, também não. Agora sim. Estando ultrapassadas as fases anteriores poderá criar a empresa, ou iniciar o projeto dentro da organização para a qual trabalhavam os promotores, e com paixão e dedicação, garantir que a mesma seja uma mais-valia para o seu público-alvo. Nesta fase, vamos criar a nossa empresa e, para isso, teremos que a constituir formalmente Nesta fase do processo empreendedor, Portugal evoluiu muito nos últimos anos devido à evolução tecnológica e à modernização da administração pública, podendo mesmo ser constituída uma empresa online, sendo por isso, um exemplo no processo de constituição de empresas. Efetivamente, constituir empresas, até há uns anos atrás, era um processo verdadeiramente doloroso e moroso que desmotivava qualquer empreendedor; há, no entanto, ainda, um caminho a percorrer no capítulo do encerramento de empresas. Os promotores têm então de cumprir algumas formalidades associadas, as quais irei apresentar de forma genérica e resumida: 1) Escolher o tipo de empresa a constituir (a forma jurídica). Este é um passo fundamental que irá influenciar toda a evolução da empresa; os tipos de sociedades mais comuns em Portugal são: sociedade unipessoal por quotas e sociedade por quotas. Avançar sozinho permite maior independência e poder de decisão, mas eventualmente avançar com sócios permitirá uma maior capacidade financeira e complementaridade de know how e mesmo know how (o tão importante networking), deve, todavia, ser um processo transparente que defina claramente as obrigações e direitos de cada um e ainda o processo de entrada e de saída na sociedade, como diz o ditado, ”amigos, amigos, negócios à parte”; 2) Escolher o nome da empresa (firma). Pode selecionar uma da listagem de firmas pré-aprovadas à sua disposição em qualquer balcão de atendimento da “Empresa na Hora” ou, em alternativa, se preferir um nome já escolhido ou criado por si, pode solicitar a aprovação do nome junto do RNPC (Registo Nacional das Pessoas Coletivas). 3) Constituir a empresa. Aconselho que o façam num dos balcões de atendimento da “Empresa na Hora”; podem consultar a localização dos balcões em http://www.empresanahora.pt/ENH/sections/PT_contactos/. Devem estar presentes todos os empreendedores, futuros sócios e levar todos os documentos necessários (ver caixa 2). 4) Pacto da sociedade. No balcão será assinado o pacto de sociedade na hora, desde que utilize um dos modelos disponíveis e pré-aprovados para o efeito. Será igualmente efetuado o registo comercial e receberá de imediato: a) uma certidão do pacto social; b) o código de acesso à certidão permanente do registo comercial; c) o código de acesso ao cartão eletrónico da empresa;d) o número de segurança social da empresa. Receberá depois o cartão da empresa em suporte físico. 5) Técnico Oficial de Contas. Pode indicar um conhecido logo na altura ou escolher um da Bolsa de TOC´s disponibilizada ou, em alternativa, ter 15 dias após a constituição da empresa para entregar num serviço de Finanças a declaração de início de atividade devidamente preenchida e assinada pelo TOC; 6) Capital Social. O depósito do capital social deve ocorrer no prazo máximo de 5 dias após a constituição da empresa. Está assim constituída formalmente a empresa. Aconselho, ainda, a que, sempre que possível, seja aproveitado o momento pelos promotores, para obter uma marca na hora (nome comercial da empresa), tendo, porém, que ser uma marca disponível numa bolsa para o efeito previamente registada em nome do Estado. Para informações adicionais podem consultar http://www.empresanahora.pt/ENH/sections/PT_inicio
O Processo Empreendedor está em curso. A seguir virá a expansão. Artigo publicado na Revista Negócios e Franchising, edição especial 2011
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