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Em manchete
Zach Avery, o rapaz com género e identidade de rapariga |
| Autor: João Miguel Ribeiro |
| Segunda-feira, 20 Fevereiro 2012 22:45 |
Zach Avery decidiu, há algum tempo, que não gostava do seu género. Vítima do Síndrome de Identidade de Gênero, este rapaz viveu mais de um ano como se fosse uma rapariga, com tranças no cabelo e vestidos em tom rosa. Até que, no final do ano passado, os médicos deram-lhe razão e surpreenderam os pais: o seu filho é uma filha. Uma menina. Zach Avery era um rapaz de três anos quando se virou para a mãe, Theresa, e confessou: “mãe, eu sou uma menina”. Theresa nem ligou, achou “que era apenas uma fase”. Eventualmente, haveria de passar. "Mas ele falava mesmo a sério e e chateava-se quando alguém se referia a ele como um rapaz”, recorda a progenitora. Isto aconteceu no final do ano de 2010. A Síndrome de Identidade de Gênero (SIG) começava a manifestar-se, tinha Zach Avery três anos de vida. Mas a idade não era impedimento para Zach se sentir o que realmente é: uma rapariga. Deixou os desenhos animados que os meninos preferem e passou a prestar mais atenção a personagens como ‘Dora, a exploradora’, e a vestir-se com roupas mais típicas do género feminino. Theresa começou a aperceber-se que não seria apenas uma fase. Era algo mais forte e ela tinha que saber o que se passava com o filho. "As pessoas precisam de estar cientes desta síndrome, pois é muito comum, só que nem as pessoas que trabalham em serviços de apoio à família a conhecem. Muitos nunca ouviram falar destes casos em crianças”, reconhece, agora, com a distância de quem tem “saudades do meu menino”. “Eu adoraria ter o meu filho de volta, mas eu quero é que ele seja feliz. Se este é o caminho que ele quer tomar, se é isso que o faz feliz, então eu prefiro que assim seja”. Prometendo “um apoio total” à sua ‘nova filha’, Theresa tem-se empenhado, recentemente, em aumentar a consciencialização das pessoas para a SIG: “há pessoas assim lá fora, mas não querem falar sobre isso”. A experiência de Zach, uma menina entre três irmãos, vai permitir que outras famílias possam “perceber que há apoio disponível” para lidar com esta condição. Contudo, até num ambiente mais propício esta ajuda pode ser complexa: afinal, durante anos, os médicos bem tentaram convencer Zach de que era um rapaz. “Diziam-nos que, embora ele tivesse um corpo do sexo masculino, o cérebro estava dizendo que ele era uma menina”, recorda Theresa, evocando o período angustiante em que ela e o marido, Darren Avery, foram pedir ajuda a um especialista na Tavistock and Patman Foundation Trust, uma fundação em Londres. Zach Avery tornou-se, assim, numa das crianças mais novas a quem foi diagnosticada esta síndrome. Segundo os dados da entidade de saúde responsável pelo SIG, em Inglaterra foram diagnosticados 165 casos em crianças neste ano: em 2011, só sete crianças com idades inferiores a cinco anos é que apresentaram esta síndrome. "É mais raro para crianças dessa idade conseguirem identificar que possuem o género oposto e expressar que são ou querem ser do sexo oposto”, explica um porta-voz da fundação. No caso de Zach Avery, a reação dos colegas à notícia foi igualmente surpreendente. “Explicámos às outras crianças na escola que o corpo de Zachy era o de um menino, mas que no cérebro era uma menina. Nós dissemos que Zach seria mais feliz sendo uma rapariga e os outros meninos nem pestanejaram, aceitaram-no como um deles”, revela Theresa. A mãe ficou extremamente satisfeita com “o muito, muito apoio” dado pela escola, que “tem sido brilhante”. O diagnóstico de Zach permitiu, por exemplo, que os quartos-de-banho da primária fossem convertidos num bloco unissexo. Hoje em dia, Zach veste-se com o uniforme escolar feminino. "Ele só quer ser como uma rapariga e está muito feliz com o seu longo cabelo louro, com o quarto rosa e vermelho e com um armário cheio de roupas de meninas. Adora brincar com brinquedos antigos da irmã, mas ainda ama o ‘Dr. Who’ e também brinca com o irmão. Ainda tem algumas roupas neutras no armário, no caso de decidir usá-las. Deixamos que ele decida o que quer fazer. Se mudar de ideias e quiser ser um menino novo, que o faça, mas se não o fizer, não faz”. |



