Quinta-feira, 23 Fevereiro 2012 22:11 | João Miguel Ribeiro

A RTP deve ser pública, no entender de José Fragoso. O diretor da TVI, que já teve funções de chefia no canal estatal, justifica que em tempo de crise não se pode privatizar uma estação com finalidades de serviço público, dado o desequilíbrio que ia criar no mercado. Para o canal que dirige, Fragoso revela a intenção de exportar a ficção portuguesa.

Privatizar a RTP é uma possibidade, mas não para já. O diretor da TVI, que já desempenhou funções de chefia na estação estatal, salienta que “esta não é a melhor altura” para se discutir a privatização de um canal público, traçando um paralelismo com exemplos europeus: “basta olhar para Espanha e outros países europeus para assistirmos ao encerramento de portas de televisões. Muitas que abriram há poucos anos já fecharam.

A austeridade em que o país está mergulhado é outro dos principais argumentos usados por José Fragoso. O diretor da TVI considera que o mercado publicitário português não tem capacidade para acolher mais um concorrente privado, numa decisão que não terá repercussões apenas nas televisões: também a imprensa, as rádios e os media na internet serão afetados, alega.

As receitas provenientes do mercado publicitário são fundamentais para a sobrevivência das empresas de comunicação social em Portugal. Só a RTP, por ser uma estação de serviço público, é que se pode dar ao luxo de dispensar ser um operador tão agressivo no mercado comercial, uma vez que recebe uma contribuição oriunda do Orçamento de Estado. Feitas as contas, José Fragoso elogia a gestão dos canais públicos.

“Nos últimos anos, a RTP tem feito um trabalho de reconciliação com as contas, que é credível, e esse trabalho deve continuar, de forma a que o serviço público de televisão possa ser prestado da melhor forma custando o menos possível aos contribuintes”, defende o diretor da TVI, lembrando que, “na Europa, o público e o privado são complementares: há conteúdos que são puro serviço público de televisão e de rádio”.

Atendendo à existência desse “conjunto de missões” de serviço público, José Fragoso entende que “o serviço público de televisão e de rádio deve ser gerido e trabalhado, em cada momento, de acordo com os recursos que o país possa ter. No momento em que vivemos, é preciso pensar na melhor forma de fazer funcionar o serviço público. Julgo que é esse o desafio que existe também para quem trabalha nos serviços públicos. A eficiência não deve ser apenas uma característica dos canais privados”

“Eu defendo a manutenção de um canal público, sempre defendi. Há conteúdos que passam nos canais públicos e não passam nos canais privados, há conteúdos que são de puro serviço público, devem estar nos canais públicos”, complementa.

Olhando para o canal que dirige, José Fragoso reconhece a necessidade da adoção de “medidas extraordinárias” na TVI para, com “menos recursos”, fazer mais: “é preciso ser mais criativo e tentar aproveitar da melhor maneira os recursos que existem, sendo mais eficiente”.

Na mesma entrevista, ao site da TVI, Fragoso aponta a ficção portuguesa como “a área estratégica” da estação e revela a intenção de exportar esse “grande ativo”, “à semelhança do que já acontece com os Morangos com Açúcar, que são transmitidos em Israel, em Angola, ou do Equador, que é transmitido no Brasil”.

“Julgo que os filmes TVI serão facilmente [exportáveis] porque são filmes que têm uma duração média, valor internacional, uma qualidade média, também com padrão internacional. Julgo que não será difícil, no curto prazo, estarmos a vender os filmes para outros países”, sustenta.


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