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O aumento do número de horas de trabalho, em média, tem efeitos mais negativos nas mulheres do que nos homens, e os indivíduos de ideologia de esquerda sofrem mais com o elevado número de horas de trabalho do que os de direita. São algumas das conclusões de um estudo realizado pelos investigadores Filipe Coelho e Maria da Conceição Pereira, da Faculdade Economia da Universidade de Coimbra (FEUC).
De uma forma geral, o estudo avaliou a relação entre as horas de trabalho e o bem-estar das pessoas, e revela que "trabalhar mais horas pode ter efeitos negativos mais fortes ou mais ligeiros no bem-estar dos indivíduos, dependendo das características ou das situações em que estes se encontram. Por exemplo, as pessoas que têm mais autonomia no trabalho não sofrem tanto com um aumento do número de horas de trabalho. Quando a organização dá autonomia, sinaliza aos colaboradores que os apoia, que se preocupa com eles e que acredita nas suas competências para tomarem decisões e isso motiva-os para esforços que beneficiem a organização", afirma o investigador Filipe Coelho.
Desenvolvido ao longo dos últimos três anos, a pesquisa baseou-se na informação recolhida junto de aproximadamente 34 mil empregados de ambos os sexos e de várias idades, 1034 dos quais portugueses, no âmbito de um estudo europeu, financiado em parte pela União Europeia, e conduzido em 24 países.
O estudo determinou, também, que os imigrantes encaram melhor o facto de trabalharem mais horas. Pelo contrário, no cidadão que trabalha no país de origem o efeito é mais negativo, o que é "compreensível" porque, afirma Filipe Coelho, "têm uma maior envolvência social. A sua vida é muito mais preenchida, por exemplo, pela família, pelos amigos, e por outras atividades de cariz social. As pessoas oriundas de outros países não só não têm tanta interação social, como estão muitas vezes focalizadas na melhoria da sua situação financeira, e trabalhar mais horas pode ser muito positivo nesse aspeto".
Os autores desta investigação salientam que vários estudos têm associado o número de horas de trabalho a diversas consequências nefastas, como o aumento de acidentes de trabalho, problemas de saúde, cansaço físico e mental e estilos de vida menos saudáveis). Contudo, trabalhar mais também pode trazer benefícios aos indivíduos como, por exemplo, sucesso na carreira e maiores salários.
Segundo Filipe Coelho, os resultados deste estudo e de outros similares "podem ser úteis para as empresas, uma vez que estas estão muito interessadas em maximizar a produtividade dos seus colaboradores. O estudo dá pistas para redesenhar horários de trabalho em função do sexo, idade e outras características dos colaboradores, por forma a aumentar a sua qualidade de vida, bem como para desenvolver práticas organizacionais que tornem mais aceitável um aumento das horas de trabalho".
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