Paciente Resistência

Autor: Maria Moreira
Sábado, 09 Junho 2012 16:46

« Grandes realizações não são feitas por impulso, mas por uma soma de pequenas realizações.»

Vincent van Gogh
Em julho de 1947 o chefe exército nacional birmanês e mentor da independência,Aung Sang, juntamente com seis membros do conselho executivo foram assassinados por rivais. A Birmânia tornou -se independente a 4 de janeiro de 1948, e desde do inicio que as lutas pelo poder afastaram a possibilidade de uma democracia  naquele país. Nos anos seguintes o país viveria  nas mãos dos militares e  ao contrário dos seus vizinhos a sua economia estagnava. No final da década de 80, o país estava isolado internacionalmente, a maioria da população vivia  no limiar da pobreza e o os militares exerciam o poder de forma dura.
Estudantes manifestam-se a favor da democratização e são violentamente reprimidos, e isso permite  ao general Saw Moung tomar o poder a que se segue um perodo particularmente sangrento. Em 1989 o país  muda o nome para  Myamar.
Simultaneamente a viúva de Aung Sang, assassinado em 1947, adoece e isso motivaria o regresso da filha, Aung San Suu Kyi, ao país.
Seria o início de uma longa e pacifica  resistência.
Com  apoio da igreja budista, tornou-se a face visivél do movimento democrático.Por ser casada com um britânico e ter apoios naquele país, os militares optarem por não recorrerem a medidas extremas , temendo uma reação externa de consequências desconhecidas.Os militares  sabiam que o país estava na lista negra do tráfico de droga, e que a enorme influência de Knun Sa, o principal produtor de ópio mundial  no país não era encarada com favor pelo ocidente.
A opção foi o desgaste de Aung San Suu Kyi. De 1989 a julho de 1995 foi submetida a várias detenções. A junta militar não concedeu visto de entrada ao marido de Aung San Suu Kyi e controlava as comunicações  com o exterior, dificultando o contato  desta com os filhos.
Em 1991 quando  o prêmio Nobel foi lhe foi atribuído, centrando as atenções internacionais nesta mulher, a junta militar impediu que fosse receber o prêmio e  dificultaram o acesso de estrangeiros a Aung San Suu Kyi. Quando o marido é diagnosticado com cancro, a junta militar persiste em não autorizar a entrada dele no país.Face aos apelos e pressões internacionais a junta militar autoriza a saída de Aung San Suu Kyi garantindo que poderá regressar .Receando  uma manobra para impedir o seu regresso e assim decapitar a oposição, ela opta por não sair do país.O marido morre pouco depois depois.
A fragilidade da economia do país, a contestação interna fazem com que os militares cedam, e algumas medidas foram introduzidas, entre elas, a libertação de Aung San Suu Kyi .Em 2010  realizaram-se eleições ganhas pelo partido apoiado pelos militares,  a oposição conseguiu influência apesar das irregularidades denunciadas.Em 2011 Hillary Clinton visitou o país e encontrou-se com Aung San Suu Kyi, sendo uma das primeiras representantes estrangeiras a encontrar-se com ela.
Apesar de problemas de saúde, resultantes das precárias condições de vida dos últimos anos, a vencedora do nobel continua a lutar pela democratização do país.
Os politicos em qualquer país do mundo adoram nos seus discursos evocarem o bem comum, a pátria e pedir sacrifícios aos seus povos,mas na maioria dos casos não estão dispostos participar nos sacrifícios!

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