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Optimus Primavera Sound (Dia 2): Entre a exuberância multicor e o intimismo esvoaçante

Autor: Pedro Vasco Oliveira
Domingo, 10 Junho 2012 16:37

E ao segundo dia o Primavera Sound pegou fogo. A exuberância multicolor dos The Flaming Lips e a intimidade esvoaçante de The War On Drugs e de Beach House, mas também a energia explosiva dos Black Lips e dos Shellac e, the last but not the least, a eletrónica dançante dos M83 ganharam destaque num dia em que foi imperativo fazer escolhas, na esperança de que tenham sido as corretas. Nota ainda para as atuações dos portugueses Linda Martini e We Trust.

primavera_sound_dia2_1O manto negro da noite acabara de cair sobre o Parque da Cidade quando uma explosão de cor e luz iluminou os céus e a massa humana que lotava o anfiteatro natural em frente ao Palco Primavera. Aos primeiros acordes de 'Worm mountian', Waine Coine e os seus The Flaming Lips deram início a um espetáculo colorido e festivo, por entre enormes balões multicor, confetis, fumo, muita luz e muita animação.

A ladear o palco, dois grupos de 'cheerleaders', um ET e ainda um Lobo Mau contagiavam o público a agitar-se juntamente com o vocalista Waine Coine, que mais à frente rolou por cima da plateia numa gigante balão transparente, o que levou o público à loucura! Cada tema era um número em cima do palco, sempre com muita cor e luz, muita agitação e balões e com o vocalista a ser o principal instigador.

'Do you realize?' fechou a atuação, com o público a cantar em uníssono com Coine.

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À mesma hora, no Palco Club, os também norte-americanos Black Lips iniciavam um igualmente agitado concerto, mas noutros moldes, perante uma tenda repleta de gente sedenta pelo som enérgico e explosivo. E assim foi, rock’n’roll já com alguns contornos de pop polida, que em muito agradou aos presentes.

No mesmo palco, horas antes, em ambiente quase psicadélico pelo universo dos The War On Drugs, muito público viajou na sonoridade fina e macia da guitarra de Adam Granduciel. Do álbum 'Slave Ambient' saíram a maioria dos temas de um concerto tão intimista quanto provocador e que ficará registado como um dos bons momentos da estreia do Primavera Sound no Porto.

primavera_sound_dia2_2Com o cair da noite, era cada vez mais numeroso o público presente, já com a legião portuguesa a equilibrar as contas, apesar de ser notória a vasta presença de estrangeiros que deambulava e assistiu a concertos no Parque da Cidade.

Momento delicioso do segundo dia do evento foi a atuação dos Beach House, que no Palco Club apresentaram o seu mais recente trabalho discográfico, 'Bloom', editado há menos de um mês. Guiada pela voz de Victoria Legrand, a plateia vagueou por mitos e universos selvagens e encontrou almas de prata e desejos… Delicioso! 'Myth', 'Wild', 'Silver Souls', 'Wishes', foram alguns dos temas de 'Bloom' que se ouviram, mas também o mais antigo e extraordinário 'Norway'.

De regresso ao Palco Optimus, a fechar a noite os M83 transformaram rapidamente a plateia numa pista de dança, numa atuação que pecou por demasiado breve (45 minutos apenas). Anthony Gonzalez, Morgan Kibby, Jordan Lawlor e Loic Maurin foram enérgicos e contagiantes q.b., o que fez com que o público se agitasse freneticamente ao som de temas como 'Midnight City' ou 'Reunion' que fechou em alta o concerto.

No Palco ATP, os Shellac foram autores de um concerto duro e pujante, num registo mais agressivo, mas ao seu jeito, mobilizador e reconfortante. À mesma hora, no Palco Club os Neon Indian desfiam a sua coleção de músicas, com forte componente eletrónica, sempre com um piscam o olho à pista de dança. Alan palomo e seus pares foram, sem dúvida, protagonistas de mais uma bela atuação no Parque da Cidade Invicta…

The Walkmen, Wilco, Yo La Tengo ou os Chairlift passaram igualmente pelos palcos deste Optimus Primavera Sound, mas infelizmente o este escriba não tem o dom da ubiquidade, pelo que…

E se a noite foi, então, procurar a madrugada ao som dos deejays do Numbers Showcase, o segundo dia do festival arrancou em português com o rock poético dos lisboetas Linda Martini e ainda da pop dos portuenses We Trust.

Cada um no seu registo foi competente e, acima de tudo, eficaz, no sentido de que conseguiram provocar no público as reações que a sua música habitualmente faz. Energia a rodos, ritmo pujante e guitarras sujas dos Linda Martini e balanço delicodoce e pormenores aveludados dos We Trust. Portugal bem representado, sem dúvida.

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O terceiro dia do Primavera Sound teve como prato forte… futebol. Às 19h45, num ecrã gigante situado na área de alimentação do recinto,  interessados assistiram à estreia de Portugal no Euro’2012 frente à Alemanha. É uma interrupção nas festividades musicais… por uma boa causa! Quem assim não o entender tem muitos concertos para assistir, em mais um dia que será uma trabalheira escolher que concertos ver. A não perder: The xx!... E que a chuva dê alguma trégua…

Fotografia: Sofia Mota