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O enorme sucesso que constituiu a primeira edição do Optimus Primavera Sound, com cerca de 74 mil pessoas a passarem pelo Parque da Cidade do Porto nos três dias do evento, garantiu, desde já, a realização de nova edição em 2013, como anunciou a organização, em conferência de Imprensa, ficando apenas por saber em que datas, ainda a concertar com o Primavera Sound catalão. Uma vitória para a organização, para a cidade Invicta e para todos os que com Sol ou chuva, com frio ou calor, com relva ou lama passaram pelo Parque da Cidade nos dias de festival.
Não começou nada bem o terceiro e derradeiro dia do Primavera Sound portuense, pois a chuva apareceu e forçou mesmo o cancelamento de duas atuações, para além de que foi bastante complicado para os resistentes e corajosos enfrentarem as condições metereológicas que se fizeram sentir na Invicta. Chuva miudinha, mas constante e intensa, deixou toda a gente encharcada e o terreno bastante enlameado.
No entanto, essas condições não foram suficientemente desmobilizadoras, pois muita gente circulava pelo recinto, tendo proteger-se da melhor forma possível e ainda assistir a alguns concertos. A juntar a isto, a estreia de Portugal no Euro’2012 frente à Alemanha, e que se saldou por uma derrota (0-1) para as cores lusas, acabaram por adiar a ida para o Parque da Cidade de muito público.
A verdade é que a chuva deu tréguas com o cair da noite e com uma temperatura bem mais agradável do que nas noites anteriores, as 24 mil almas que marcaram presença na derradeira noite no parque da Cidade puderam desfrutar de extraordinários concertos, como foram o dos The xx, Wavves, Dirty Three ou Washed Out.
Às boas atuações de Afgan Whigs e Spiritualized e sabendo-se que os Kings of Convenience são, o que se pode chamar, um clássico num evento deste tipo, ainda para mais no local idílico que é o Parque da Cidade, a grande atuação da noite, e provavelmente a mais esperada, foi a dos britânicos The xx.
De regresso a Portugal, depois de dois concertos em nome próprio, há coisa de dois anos, o trio formado por Romy Madley Croft, Oliver Sim e Jamie ‘X’ Smith embalaram a vasta multidão que preencheu o anfiteatro natural do Palco Optimus.
Sob um céu carregado e ameaçador, o trio, fruto de um alinhamento que mesclou temas do álbum de estreia e outras composições mais recentes, em especial saídas da demo ‘Open Eyes’, criou um ambiente intimista e hermético, tão natural nas suas criações, lançando sobre a multidão o seu manto de negritude, em que as vozes secas, mas doces de Sim e Croft emprestam pequenos brilhantes luminosos.
‘Devotion’ e ‘Islands’ abriram a atuação, em que se ouviram ainda, entre outros, ‘VCR’, ‘Crystalized’, ‘Shelter’, ‘Closer’ e ‘Intro’ para gáudio do numeroso público. Este é mais um concerto para perdurar na memória de todos os que estiveram no terceiro dia do Primavera Sound da Invicta.
Outro dos grandes momentos do último dia do festival foi a atuação, no Palco Club, dos Washed Out, igualmente bastante mobilizadora, enquanto, no Palco Primavera, os Saint Etienne convidavam o muito público à dança.
O projeto eletrónico do norte-americano Ernest Greene proporcionou mais uma viagem ao público do Primavera Sound, por entre melodias profundas e uma voz desconcertante. De ‘Within and Without’ saíram grande parte dos temas interpretados pelos Washed Out na estreia do Primavera Sound no Porto.
Nota ainda para as atuações de Dirty Three, de Warren Ellis, companheiro de muitas vidas de Nick Cave, e ainda dos Wavves, que fruto de um som intenso e agressivo granjearam grande êxito junto de quem escolheu o Palco Club, às doces canções dos Kings of Convenience.
Depois foi dançar até o dia de domingo nascer ao som, primeiro, de John Talabot e, depois, de Erol Alkan. O dia de domingo tem reservadas algumas atuações na Casa da Música e no HardClub, mas a necessidade de levantar um bilhete extra, em que cada pessoa apenas podia levantar um bilhete para duas atuações diferentes, levará a que para a esmagadora maioria do público o Optimus Primavera Sound tenha terminado no sábado… ou na manhã de domingo!
Para o ano há mais!...
Fotografia: Sofia Salgado Mota
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