FRISOL – investigadores da UC desenvolvem frigorífico solar

Autor: Cristina Pinto
Segunda-feira, 11 Junho 2012 09:52

Quanto mais sol, mais frio! Pode parecer paradoxal, mas não. Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu um frigorífico solar inovador, capaz de produzir frio equivalente a cerca de 3 a 4 kg de gelo por dia.

A base do projeto denominado FRISOL está na implementação da refrigeração por adsorção, utilizando sílica-gel, um material extremamente eficiente na retenção de moléculas de vapor, não tóxico e de baixo custo (pode adsorver água até 40% do seu próprio peso quando está fria, voltando a libertar a água ao ser aquecida).

Financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pela Associação Americana de Engenheiros de Refrigeração e Ar Condicionado (ASHRAE), a investigação iniciou-se em 2007 e conduziu a resultados muito promissores.

A equipa já construiu um protótipo com equipamento completamente autónomo, necessitando apenas de energia solar para acionar o processo de refrigeração. Este frigorífico solar poderá ser muito útil "em zonas remotas sem rede elétrica, como por exemplo, em África, para a conservação não só de produtos alimentares, mas essencialmente de medicamentos. A indústria já manifestou interesse por se tratar de uma tecnologia de baixo custo", explica José Costa, um dos coordenadores do projeto.

Mas, ele pode ser também usado em alternativa aos frigoríficos comuns, apenas necessitando de energia solar para o seu funcionamento. O FRISOL consegue manter o frio (produzido nos dias com sol) durante dois ou três dias sem sol, graças ao isolamento térmico da caixa frigorífica.

O princípio de funcionamento é aparentemente simples: o “coração” do sistema é a sílica-gel, colocada no interior de um coletor solar, completando-se o circuito com um condensador, um reservatório de condensados, um evaporador (onde é produzido o frio) e uma caixa frigorífica.

O fluido refrigerante é a água, e o sistema funciona sob vácuo, sendo por isso necessário retirar todo o ar do interior do sistema. Provado o conceito, o projeto, que conta também com a colaboração de um investigador da Universidade de Aveiro (Vítor Costa), vai entrar em fase de otimização, testes de robustez, e estudo de novas aplicações práticas. Coimbra, 11 de junho de 2012

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