Pacientes da MAC vítimas de cancro da mama têm reconstrução mamária suspensa

Autor: Ana Carreira
Sexta-feira, 15 Junho 2012 09:50

A Maternidade Alfredo da Costa, que vai encerrar as portas ainda em 2012, decidiu suspender a reconstrução mamária das pacientes seguidas na instituição, vítimas de cancro da mama. Estas mulherer ficam numa situação penosa, sem saber se o seu processo terá continuidade noutro centro hospitalar.

Albertina Lopes, de 58 anos, durante um exame de rotina em 2005, ficou a saber que era vítima de cancro, tendo sido obrigada a fazer uma masectomia e posteriormente tratamentos de quimio e radioterapia. Durante o doloroso processo, sempre foi seguida na MAC até que em outubro de 2011 deu início a uma reconstrução mamária, e aguarda agora que esta seja finalizada.

"Estou a aguardar a conclusão do processo porque ele está a meio. Falta fazer o mamilo na mama que foi reconstruída e falta retocar a outra mama. É uma coisa que faz parte do processo que é para as duas mamas ficarem iguais", declarou a doente da MAC, à agência Lusa.

Até dezembro do ano passado esta paciente teve sempre acompanhamento na MAC e o "mais importante" em todo este caso é que deixou de o ter, fazendo já cinco meses.

"Deixei de ser seguida porque não há médicos neste momento e até agora não me foi dada nenhuma alternativa", lamentou-se.

Outra das pacientes da MAC explicou à Lusa que a equipa de cirurgia oncoplástica era de apenas de dois cirurgiões que, entretanto, saíram da instituição, não tendo sido substituídos: o primeiro em dezembro de 2011 e o outro em abril deste ano.

Odete Gonçalves esperava já há um ano e meio, pela conclusão da sua reconstrução mamária, após a remoção do peito, em novembro de 2008, apenas quatro meses depois de ter sentido um ligeiro ‘caroço’.

"No meu caso foi tirado um pedaço das costas e colocado um expansor, porque o tecido que se tira das costas não é suficiente. Expansor que ainda está comigo, mas que já não devia estar porque quatro, cinco meses depois devia ser tirado. As pessoas que conheço acabaram por tirar ao fim de um ano, mas já se passou mais de um ano e meio e eu ainda o tenho", afirmou Odete Gonçalves

Já Cristina Loureiro, de 44 anos, não quer passar pela situação das citadas pacientes, depois de no passado mês de abril lhe ter sido detetado um nódulo e de em maio ter sido operada. O carcinoma obrigou-a à extração total do peito.  Neste momento, encontra-se na fase dos tratamentos de quimioterapia e de radioterapia, esperando ter o processo todo concluído daqui a um ano.

"A parte da cirurgia oncoplástica não existe neste momento e os utentes terão de utilizar outros meios, ou meios próprios ou terão de ir para as filas de espera de outros hospitais", adiantou Cristina.

Através da MAC teria de fazer estes tratamentos no Hospital dos Capuchos ou no São José, mas como é funcionária do Estado tem direito a outro tipo de assistência médica.

"Resolvi fazer tudo na Fundação Champalimaud porque tem um acordo total com a ADSE, inclusivamente a reconstrução porque agora que a MAC não tem os serviços congregados é muito mais difícil para os utentes que terão de ir para as filas de espera dos outros hospitais", esclareceu.

Através do conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC) chegou à Lusa a exposição clara de que a integração da MAC e do Hospital Curry Cabral  é um processo em fase de evolução, o qual ainda se encontra a decorrer e que trará a reestruturação de serviços com o objetivo de "criar sinergias entre as equipas diferenciadas e potencializar capacidades instaladas".

O conselho de administração afirma como certo "uma resposta atempada a todas estas doentes", mas não adianta mais explicações sobre como este irá ser feito nem em quanto tempo.