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Os problemas do após-guerra

Autor: Joaquim Morais
Segunda-feira, 18 Junho 2012 22:06

A  RECONSTRUÇÃO EUROPEIA, A AJUDA AMERICANA, PLANO MARSHALL, OECE

A reconstrução e reconversão da economia mundial, teve menos dificuldades, que durante o após-guerra do decénio dos anos 20. Nos Estados Unidos a transição efectou-se sem fricções e na Europa, desde 1946, renasce o optimismo. Apesar de uma recessão  ligeira durante o ano seguinte, em 1948, tinham-se superado com êxito os níveis  do pré-guerra. A recuperação comercial chegou mais tarde, a seguir aos anos de  “ bilateralismo  triunfante”, contudo em 1948 – 1949 conseguia-se voltar aos índices de exportação de 1938. No primeiro semestre de 1949, há uma manifesta tendência de reversão na alta de preços e diminuem  notoriamente as pressões inflacionistas. A economia mundial inicia a normalidade. A Alemanha e Japão demoraram mais tempo, todavia, a sua reconstrução acentuou-se a partir de 1947, quandos os Aliados, ante o perigo soviético, cessaram a sua política de controlo. Muitas são as razões explicativas desta rápida reconstrução europeia, entre elas, o aumento da produtividade, bem como o incremento rápido da população, que foi de 4,1% anual na Europa Ocidental e de 15%  nos Estados Unidos, de 1940- 1950 e as grandes planificações e investimentos estatais. Contudo, talvez  as mais decisivas foram o rearmamento perante a instável situação internacional e o início da “ Guerra da Coreia”, e, sobretudo, as provisões recebidas e os auxílios financeiros Americanos, primeiro, até Agosto de 1947, através da “ UNRRA” e posteriormente, por intermédio do plano “ Marshall”.

Já antes de terminar a guerra em Julho de 1944, um grupo de peritos e economistas americanos e britânicos, entre os quais se contavam “ Lord Keynes” e H. White, reuniram-se  na conferência de “ Bretton Woods” ( New Hampshire) com o intuito de prever uma série de problemas, para quando chegasse o armistício iminente. Ali se decidiu a manutenção duma cooperação mundial e se criaram dois  organismos, um para a concessão de crédito a longo prazo para a reconstrução Europeia o “ International Bank for Reconstruction and Development”, com o capital de 9.100 milhões de dólares  e o tão famoso “FMI”  com fundos de 8.800 milhões de dólares, uma quarta parte em ouro. Houve também acordo em que no projecto da organização das Nações Unidas ( ONU) existisse um “ Conselho Económico e Social” para  elaborar um regulamento internacional do comércio. A ajuda económica Americana à Europa foi fundamental para a sua reconstrução. Os paises Europeus necessitavam de importar alimentos, matérias- primas e bens de equipamento dos Estados Unidos, Canadá e outros paises. A posição francamente “ credora” da América do Norte, tentou resolver-se  através  da “ United Nations Relief and Rehabilitation Administration” (UNRRA) organismo criado durante a guerra, que outorgava empréstimos aos paises devedores, sob a rubrica de “ transferências multilaterais”. Desde o fim da guerra até Agosto de 1947, tinha concedido 8.000 milhões de dólares, dos quais a Inglaterra absorveu  mais de metade, e a França 2.000 milhões.

A crescente tensão entre os paises Ocidentais e a URSS levou os Estados Unidos a intensificarem a sua ajuda económica à Europa. No seu discurso pronunciado a 7 de Junho de 1947, o secretário de Estado Norte Americano, general Marshall na Universidade de Harvard , expôs a urgente necessidade de fornecer uma ajuda económica mais intensa aos paises Europeus, aos quais convidava a resolver em comum os seus problemas. Réplica imediata a este convite foi a conferência internacional de Paris, em junho daquele ano em que assistiram todos os paises europeus, obviamente com a excepção da URSS e os seus satélites, que declinaram o convite, e a Espanha que não foi citada. Nesta conferência nasceu a carta que fundou a “ Organização Europeia de Cooperação Económica” (OECE) encarregue de distribuir a ajuda prometida pelo chamado plano “ Marshall”. Tinha a sua sede em Paris e  era formada por dezasseis paises Europeus e os Estados Unidos. O seu objectivo primeiro era a distribuição dos dólares, programado por um período de cinco anos, ao fim dos quais se considerava que as economias de todos os paises Europeus se achariam completamente restabelecidas. Objectivamente, a valorização da ajuda e das necessidades de cada nação foi a sua balança comercial e de pagamentos. Técnicamente os auxílios distribuiram-se sob a forma de donativos ou créditos. Os donativos outorgados aos dezasseis paises da OECE ascenderam a 17biliões. O general Marshall, afirmou no seu discurso, que as necessidades Europeias de víveres e outros produtos essenciais para os próximos 3 ou 4 anos eram maiores  do que as suas actuais possibilidades de pagamento, pelo que, dever-se-ia outorgar uma ajuda adicional, caso contrário surgiriam dificuldades económicas, sociais e políticas de carácter profundamente gravoso.

 

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