Quando um burro falava os outros baixavam as orelhas |
| Autor: Daniela Teixeira |
| Sexta-feira, 22 Junho 2012 22:09 |
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Longe vão os tempos em que as pessoas acreditavam naquilo que os jornais diziam, mais longe vão os tempos em que as pessoas esperavam por um jornal para que algo fosse comprovado. Longe vão os tempos em que as pessoas liam os jornais para ter mais conhecimento. Hoje lêem-se por hábito, por mera rotina, por compaixão à arte do jornalismo ou simplesmente porque sim. Ninguém espera por um jornal para saber mais, para aprender. Apenas se satisfazem curiosidades. São muitos aqueles que dizem de boca cheia – e cabeça vazia – que os jornalistas não sabem o que dizem, que só especulam, que mentem, que fazem alaridos em torno do que dá audiências. Os jornalistas não são mais donos da razão e do conhecimento, são escassos pombos-correios do que todos acreditam já saber. Os jornalistas falam e as pessoas já não ouvem, criticam e dizem por cima do que foi dito. As costas dos jornalistas ficaram cada vez mais largas e as culpas por tudo e mais alguma coisa neles caem. Se estamos em crise são os jornalistas os culpados por não falarem noutra coisa, se os jogadores da seleção jogam mal são os jornalistas os culpados por darem a conhecer a equipa a quem assiste os jogos, se fulano matou sicrano a culpa é dos jornalistas que nunca tinham estado naquela vila a fazer uma notícia. A auto-suficiência a nível de conhecimento e sabedoria que a Internet trouxe a cérebros ocos fez com que o jornalismo perde-se a sua identidade, o seu potencial de informador número um, a sua essência de credibilidade e fidelidade. Se as pessoas não são mais fiéis ao jornalismo porque tem o jornalismo que ser fiel às pessoas? Porque as pessoas preferem acreditar num poço sem fim de entulheira vasta ao invés de acreditarem naquilo que foi trabalhado por profissionais? E os burros são os jornalistas?
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