Ser não sendo

Autor: João Borges
Terça-feira, 26 Junho 2012 22:49

Eis a velha máxima dos maiores parasitas das nossas sociedades: os que parecem, mas não são.

São aqueles que levam a expressão 'Penso, logo existo', demasiado à letra. Aqueles que nos iludem diariamente, fazendo-se passar por algo que, no fundo, não sabem o que é ser. E muitas vezes esse fundo está logo ali, debaixo da capa que faz a sua montra, prontinho a revelar-se assim que a primeira brisa a levantar. Outras vezes não, e aí o caso torna-se ainda mais grave e perigoso, mais camuflado e entranhado no meio de nós.

São fãs de palavras bonitas e atitudes pomposas, adoram eventos sociais onde encontram os seus pares, também de fantoche armado, e tratam da sua imagem como quem rega uma planta. Porque, na verdade, só ao fazê-lo asseguram a sua continuidade, o seu 'status'. Estão sempre certos, normalmente têm uma desculpa para tudo e uma solução para nada, e pouco aprendem, porque já tudo sabem. Não agem, reagem. Não escolhem, seguem. Não plantam, colhem. Atacam, sempre que acham que podem sobrepor-se, não olhando a meios para atingir fins. Vivem na fachada que os próprios constroem e que tanto os faz felizes, num ego que por fora é tudo, e por dentro nada.

Todos conhecemos um destes personagens, certo? O que leva estas pessoas a ser assim? Os seus educadores, de forma geral, onde falharam? E será defeito ou feitio? Acredito que ninguém nasce com defeito.

Estes parasitas são os embaixadores da falta de valores que hoje impera na sociedade, os bandeirantes do 'parecer e aparecer', e eu às vezes penso: temos mesmo de os aturar? Temos mesmo de conviver com estes seres falsos e hipócritas? Adoraria que cada um de nós tivesse a capacidade de os alertar, de os chamar à razão, de os acordar. Ajudar a mudar cada um destes personagens seria um excelente ponto de começo para mudar o mundo, porque é assim que é possível mudá-lo, nas pequenas coisas.

Se não acabarmos com este ecossistema da falsidade em que vivemos, onde impera o ‘parasita’, dificilmente evoluiremos no sentido de um mundo melhor, mais justo, meritocrático. Se não sairmos da nossa zona de conforto, da nossa paisagem de calmaria e passividade, dificilmente criaremos impacto. Por favor, por nós, faça a sua parte, e mude o nosso mundo.

 

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