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Barclays pode ser ponta do iceberg na manipulação de taxas bancárias |
| Autor: Miguel Moreira |
| Segunda-feira, 02 Julho 2012 15:43 |
Marcus Agius, presidente do Conselho de Administração do Barclays, é o primeiro a demitir-se, em consequência do escândalo de manipulação das taxas interbancárias Libor e Euribor. O caso ganhou contornos políticos e representa uma machadada na instituição bancária britânica. Ponta do iceberg? Marcus Agius é a primeira ‘cabeça a rola’ depois de conhecido o escândalo da manipulação das taxas interbancárias, levada a cabo pelo banco britânico Barclays, cujo nome ficou manchado. O ainda presidente (deixa o cargo em breve) pretende tentar estancar o caso, ainda que o próprio reconheça que esta prática representa um rude golpe no prestígio internacional desta instituição bancária. "Estes acontecimentos são reveladores de comportamentos inaceitáveis no Barclays e representam um golpe devastador na reputação da instituição", disse Agius, citado pela AFP. O próximo capítulo deste caso será uma auditoria interna levada a cabo pelo banco, para perceber a dimensão deste escândalo e evitar que se repita. Esta auditoria será uma das medidas a tomar, já que o Barcalys irá lançar também um código de conduta para os seus profissionais, segundo adianta a agência AFP. O banco pretende que não se voltem a repetir casos de manipulação de taxas interbancárias, sabendo que todas as medidas serão poucas para limpar a imagem do Barclays. Marcus Agius ocupava o cargo de presidente do Conselho de Administração há cerca de cinco anos e meio, sendo que apenas continuará em funções até ser encontrado o seu substituto, de acordo com dados avançados pela instituição bancária britânica. Na passada quarta-feira, este banco britânico revelou que iria pagar cerca de 290 milhões de libras para pôr termo às investigações que as autoridades inglesas e norte-americanas estavam a levar a cabo. Em causa, tentativas de manipulação das taxas interbancárias que Libor e Euribor, que definem o preço do dinheiro, nos empréstimos entre bancos, mas também nos créditos à habitação pagos pelas famílias. Na próxima quarta-feira, mais um capítulo na descoberta do escândalo, com Bob Diamond, diretor-geral do Barclays, a ser ouvido numa comissão parlamentar britânica que vai analisar o caso que manchou a instituição bancária. Diamond já é muito impopular, porque representa um símbolo dos excessos nas finanças inglesas. É um executivo norte-americano passa a estar ligado também neste caso do Barclays. Obviamente, este caso de manipulação de taxas e de fraude adquiriu repercussões políticas, sendo que a oposição trabalhista inglesa defende uma total remodelação dos quadros superiores daquele banco, onde se incluem os nomes de Bob Diamond. O líder trabalhista Ed Miliband lembra que “Diamond era o responsável máximo pela sucursal do Barclays onde ocorreram estes escândalos, há vários anos”. O caso dará origem a um amplo debate no Reino Unido, que pretende sentar no banco dos réus os banqueiros que recorram a procedimentos ilegais. Nos próximos dias, as taxas manipuladas serão analisadas por uma entidade independente. No entanto, receia-se que o Barclays seja apenas a ponta do iceberg de manipulações levadas a cabo por outras instituições bancárias. Leia também: |




