RELACIONADOS
Avaliação do país real e os Erros cometidos |
| Autor: Joaquim Morais |
| Segunda-feira, 02 Julho 2012 21:42 |
|
Traido que foi o Programa do Movimento das Forças Armadas, ainda palpitante no coração dos Portugueses, não é de estranhar que, na ordem do tempo se lhe tivesse seguido de imediato a irresponsabilidade, o tumulto de rua, a contestação permanente, a subversão no que esta tem de mais sórdido e soez. Não é a Revolução prometida que chega, como uma lufada de esperança mas toda uma série de actos iníquos e inconsequentes. A Revolução é indubitavelmente a inteligência. Esta que estamos vivendo é a irracionalidade, a tragédia da Pátria que não nos deixa uma saida nem tão pouco uma hipótese. É uma sucessão de actos inconsequentes, aprimorados pela falácia de uma liberdade titubeante e desacreditada pelos valores intrínsecos da democracia num País da utopia. Um grave erro de avaliação do País Real, transformou o 25 de Abril de todos nós não num acto sério e responsável mas num aventureirismo falhado e políticamente incorrecto. Procurou-se a todo o custo distorcer o passado, negando a própria evidência. Não é possivel apagar o passado porque é a história viva do ser humano, com todas as suas virtudes e defeitos. A história é o passado, o presente e o futuro de todos nós. Aquilo que ao longo de quatro décadas se produziu e realizou neste País, melhor ou pior, com os mesmos protagonistas, com esforço e dedicação, mais de que uma geração, foi atirada sem piedade para o – lixo da história -. Por razões de política partidária, esqueceu-se levianamente que havia um padrão colectivo de desenvolvimento social e histórico que não se podia ignorar. Não é o 25 de Abril da Esperança, que pretende fazer tábua rasa do passado e recomeçar tudo de novo desde as origens. O Programa até em relação ao Ultramar consagra todas as virtualidades para uma Revolução a sério. Não encerra ostensivamente as portas ao passado, mobiliza novas energias sociais no que concerne aos objectivos para o desenvolvimento e bem-estar dos Portugueses, sendo um dos propósitos do 25 de Abril. – devolver à Nação a Pátria que queremos ser – um acto lúcido e inteligente. A obsessão histórica da esquerda contra a direita deve ser completamente erradicada, cedendo lugar a uma harmonização e nunca à anarquia que desencadeia ódios e paixões.Quem pretende fechar-se herméticamnete ao passado, negando tudo e todos é o ódio, o sectarismo, o salto no escuro e a aventura fácil e inconsequente, a completa deturpação do 25 de Abril. A falência da graça ( S.Tomás de Aquino) provém de nós próprios das nossas fraquezas. O 25 de Abril prometido ao povo Português, contemplava o País Real, não um País imaginário e utópico. Neste contexto, há que distinguir entre os que entenderam a data histórica como uma mudança política necessária para a democracia possivel, pluralista e os que avidamente desde a primeira hora, nada fizeram que um aproveitamento abusivo desse movimento para objectivos próprios e contra a Pátria. O Partido Comunista Português é o paradigma perfeito, aproveitando a legitimidade da democracia e a abertura que esta proporcionava no campo das liberdades institucionais para lançar a âncora do marxismo-leninismo estalinista. Começa bem cedo o desencanto da Revolução. Os seus desvarios ao longo do processo, tornam ainda hoje infelizes os Portugueses, que sempre acreditaram numa sociedade justa e igulitária repudiando obviamente quaisquer extremismos. No processo inconsequente e anárquico dos anos 1974/ 75, que infelizmente ainda hoje há sinais, não há Revolução mas sim espontaneismo, improvisão, esbulho e violência gratuita, contestação a propósito de tudo e nada a axiologia da razão de Estado. Faltava um consenso nacional mínimo, a segunda infância de uma sociedade desnorteada e sem rumo, que leva à destruição do tecido social, caso não haja a maturidade suficiente para impedir tal desiderato. Há o 25 de Abril impuro, tudo se procura fazer não em atenção a uma realidade concreta e viva. Procurou-se construir não para dentro mas para fora, perdendo-se a realidade e a noção do concreto o positivismo de uma gesta que finalmente encontrara o seu caminho. Faltou aos homens do 25 de Abril uma coerente teoria da história e, sobretudo um adequado ajustamento dos seus ideais de liberdade e de justiça à personalidade cultural e psicológica Portuguesa.
Leia também:
|








