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“Panenka”… e recordações |
| Autor: Cláudia Fernandes |
| Quarta, 04 Julho 2012 22:22 |
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No Euro 2000 fiquei encantada com um jogador. Era a primeira grande competição a nível de selecções em que ele representava a Itália e mostrou, ali, dotes de craque. Vi-o, no desempate por pontapés de grande penalidade, no jogo frente à Holanda, das meia-finais, a ousar e marcar um penalty à “Panenka”. No momento pensei que aquilo não era para qualquer um. Era necessária classe e, acima de tudo, muita confiança. Aquele foi o momento em que Francesco Totti passou a fazer parte das minhas referências. Já vi muitos craques em acção e muitos deles fora de série. Admito que Lionel Messi é de outro Mundo… mas o meu carinho especial vai para Francesco Totti. Vi-o ser fiel à sua AS Roma, equipa do seu coração. Vi-o brilhar. Vi-o quebrar recordes. Vi-o ganhar a Bota de Ouro. Vi-o cair. Vi-o agir por impulso e sofrer as consequências disso, nomeadamente no Euro 2004. Vi-o, humildemente, prometer, antes do Mundial de 2006, aos adeptos italianos que não ia falhar pela terceira vez (Mundial de 2002 e Europeu de 2004). E vi-o ser campeão do Mundo, nesse mesmo ano, com a sua Itália, depois de uma lesão quase o ter afastado da competição. Assisti a momentos caricatos. Recordo-me do Mundial de 2002, num jogo contra a Coreia do Sul, quando no prolongamento foi derrubado dentro da área da Coreia do Sul e foi expulso por simulação por um árbitro do Equador, chamado Byron Moreno, se não estou errada. Árbitro esse que depois chegou a ser condenado por outros dotes, nomeadamente tráfico. Vi-o, voltando a Francesco Totti, ser impulsivo umas quantas vezes. O caso mais polémico foi mesmo em terras lusas, em pleno Europeu, quando cuspiu na cara de um adversário porque este o tinha provocado. Uns chamam-lhe “provocador”, outros veneram-no. Penso que um craque é isto: provoca sentimentos ambíguos nas pessoas. Vi-o ser o primeiro a dar a cara, quando os adeptos romanos criticaram as más exibições da equipa. Assisti à combinação perfeita com Cassano, com Delvecchio, com Batistuta e com Montella. E noutro prisma, vi-o preocupar-se com causas sociais, sendo embaixador da UNICEF, por exemplo. E vocês perguntam, isto tudo a propósito de quê? Porque há uns dias, um senhor também italiano marcou um penalty à “Panenka”, numa fase igualmente decisiva de um apuramento num campeonato da Europa e me fez viajar até àquele longínquo momento de 2000. A mesma classe e o mesmo sangue frio. Desta vez, Andrea Pirlo.
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