A afirmação da música portuguesa

Autor: Carlos Moreira
Quarta, 04 Julho 2012 22:22

Estamos em crise. No entanto no que toca à industria musical portuguesa tudo vai de vento em poupa. Nunca como hoje se teve tanta e tão boa oferta. Finalmemte acontece o que há uns anos era impensável,varios artistas portugueses estão nos tops de vendas, tocam nas radios a toda a hora, (não por imposiçao das leis, mas pela sua qualidade) e competem com grandes nomes internacionais. E o que aconteceu para que o "boom" se tenha dado? Além da qualidade inequívoca das bandas. É simples. Perdemos a vergonha das nossas raízes, reinventamo-nos como artistas e ao invés de nos queixarmos que a lingua portuguesa é dificil de cantar, ou que as nossas tradições musicais não passavam disso mesmo. Trouxemos as nossas raizes para a música, cantamos em português, misturamos em alguns casos (cavaquinhos e guitarras portuguesas).Sendo as musicas cantadas em português, os portugueses percebem as canções intuitivamente, identificam-se. Finalmemte perdeu-se a vergonha de escrever em português, porque não era mais que isso, vergonha ou o sonho de ter uma carreira internacional! Carreira internacional?! Nem cá as bandas se safavam, quanto mais exportar a música. Além disso o produto que queriam exportar era igual ao que havia lá fora (talvez até pior). Qualquer outro país tinha identidade na sua música. O Brasil por exemplo. Se ouvirmos Gabriel, O pensador, sentimos a alma do Brasil ou se ouvirmos Orishas, sente-se Cuba não só nas palavras, mas porque toda a musica nos remete para aquele país.
Jorge Cruz é um dos nomes que integra este "movimento nacional". Com uma carreira musical com mais de 15 anos sempre dedicada à musica portuguesa, tem feito bastante pela identidade da música portuguesa. O seu mais recente projecto - Diabo na Cruz - faz do melhor que já se ouviu ao nível de fusão entre Rock e Musica Tradicional Portuguesa. Entre o rural e o urbano. Quando ouvimos os Diabo na Cruz parece que vamos em viagem pelo Portugal profundo, mas sempre com um toque de modernidade, remete-nos para campos e serras, faz nos lembrar pastores e aldeias mas é rock.
Quando alguém na longinqua Cuba ouvir os Diabo na Cruz não vai ter duvidas de que se trata de uma banda portuguesa e a isso chama-se identidade.

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