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Só nos filmes

Autor: Maria João Costa
Quinta-feira, 05 Julho 2012 22:01

Só nos filmes  - o problema não és tu, sou eu

Antes de começar a escrever, vou ter que pedir desculpa a realizadores, atores e a todos os responsáveis que iludem as mulheres com cenas dos filmes “piegas”. Aliás, os realizadores é que nos devem um pedido de desculpas, enfim.

Nestas coisas dos relacionamentos, há sempre uma altura em que eles, já desesperados, tentam perceber as mulheres. O desespero é tão grande que até vêm a comédia romântica que elas tanto querem, e percebem porque é que é elas conseguem ser mais insatisfeitas do que o Garfield antes de comer lasanha. E a culpa é dos filmes.

Em Hollywood, eles ficam sempre juntos, e há sempre uma “má” que tenta acabar com a relação, mas “o amor é mais forte”; a compra de um anel é sempre um passo de gigante na relação (se for feito por ele, ela vai achar que é amor verdadeiro, e não falta de dinheiro na carteira); a sogra nunca gosta dele, e o sogro tenta ensina-lo a jogar golfe; ela consegue ficar sempre bonita (mesmo depois de ter sido gozada durante anos na escola por ter dentes grandes e usar o XL); e a melhor amiga, a solteira, fica sempre com o melhor amigo dele.

Depois de mais de cinquenta comédias românticas é normal que as mulheres façam listas sobre as qualidades que um homem deve de ter, e é normal que se desiludam no segundo encontro. Porque eles não se tornam bailarinos de barba rija só porque elas viram o Step Up; não se vão zangar só para haver uma reconciliação com provas de amor eterno à mistura; nem vão dizer que o pijama deles lhes fica bem, toda a gente sabe que só lhes fica bem nos filmes; nem vão deixar de usar meias brancas por elas.

E aquela parte em que ele diz “isto não é o que parece”, isso é que já pode acontecer. E é mesmo o que parece.

 

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