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Desgoverno.

Autor: João Borges
Terça-feira, 10 Julho 2012 22:28

É este o substantivo que classifica o actual estado na nação. No dicionário da língua portuguesa, desgoverno vem descrito como: “mau governo ou administração, desregramento, esbanjamento, desnorteamento”. Faz sentido, não faz? Acrescente-se corrupção, mentira e compadrio, só para deixar mais claro o ponto de desgoverno em que estamos. E problema é de tal ordem, que esta semana me vejo 'obrigado' a complementar a crónica da semana anterior.

O nosso país anda tal e qual um navio desgovernado, sem rumo. Andamos ao sabor da maré, das correntes, dos ventos e das tempestades. E que grande tempestade atravessamos neste momento! A maior diferença talvez seja que um navio desgovernado só o é por falta de alternativas, por acidente. O nosso ‘navio’, pelo contrário, está desgovernado por opção dos seus comandantes, e por complacência dos seus tripulantes.

Do lado dos comandantes acho que todos sabemos porquê, pois fica tão, mas tão claro sempre que uma nova notícia nos chega aos jornais, à internet, à televisão. Do lado da tripulação, do nosso lado, não consigo ainda compreender. Não há razão para nos sentirmos desinformados hoje em dia, pois não estamos. Dão-nos ‘1+1’ todos os dias, e todos os dias fazemos essa conta simples, indignamo-nos, e de seguida refugiamo-nos em algo menos difícil de combater. Será que vamos mesmo ter de bater no fundo para partirmos para acção? Ou será que nem bater no fundo será suficiente? É que já estamos muito, muito perto disso...e que fique claro que eu me considero apenas mais um tripulante, sem aspirações a comandante, mas indignado activamente. Pronto a agir, pacífica e progressivamente.

Os ‘desgovernantes’ permanecem e permanecerão tranquilos,  pois sabem que pelo menos eles cabem no bote salva-vidas. A cada quatro anos, assistimos impávidos e serenos, contemplando a paisagem do nosso convés à beira mar plantado, aos comandantes a encher o seu bote o mais que podem, para depois partirem, tranquilos, impunes, para sempre. Alguns até voltam ao comando do navio, sim têm essa lata, mas só porque a nossa vista é curta, e rapidamente os perdemos no horizonte, esquecendo as suas incapacidades como homens do leme.

A semana que passou foi mais uma semana de bombas noticiosas. Que espanto! Um ministro que falcatruou uma licenciatura? Não posso crer! Logo uma pessoa tão louvável, tão segura de si, tão convicta da sua missão! A minha perspectiva sobre este assunto é muito simples. Pouco me interessa se o Sr. Relvas é ou não licenciado. A única coisa que ele me deve é ser um executivo competente, dedicado, que zela pelos nossos interesses, e para isso não há licenciaturas. Calma, não o estou a defender, porque na verdade ele não é, nem faz, nada disso. É só mais um parasita, um daqueles que vai encher o salva-vidas durante quatro anos e depois partirá, tranquilamente, rumo ao horizonte até o perdermos de vista. O problema não é a licenciatura, mas sim o método usado para a obter, que diz tanto sobre os seus valores. De 0 a 20, no curso de valores, nem com compadrio tirava a licenciatura.

E nós, tripulantes, a observar, a rir e a chorar, a esquecer. A não querer ver o navio a afundar. Até quando nos vamos manter longe do leme? Debaixo de água não haverá oxigénio.

 

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