Optimus Alive!12 (Dia 3): O sorriso das estrelas ao som de Radiohead (fotogaleria)

Autor: Pedro Vasco Oliveira
Segunda-feira, 16 Julho 2012 21:33

No céu escuro, quase breu, duas estrelas se destacavam… As duas estrelas e um quarto minguante de Lua serviam de ponto de referência, como que indicando que era ali que a felicidade ia acontecer… Enquanto Thom Yorke e os restantes Radiohead apresentavam ‘The King of Limbs’ e conduziam a multidão de almas devotas que tinham pela frente por diversos momentos das suas criações, vislumbrei o sorriso sincero de duas amigas que este ano partiram e que, de certeza, estariam com este vosso escriba no Passeio Marítimo de Algés. Infelizmente, não estiveram fisicamente, mas não deixaram de marcar presença e de sorrir ao concerto estupendo que a banda inglesa protagonizou… Do alto dos céus, observaram os sinuosos caminhos que se percorrem com a sonoridade dos autores de ‘Karma Police’.

Este foi, provavelmente, o tema que faltou no alinhamento, mas os Radiohead, com Thom Yorke a entrar em palco como se o Mundo fosse acabar no dia seguinte, foram esmagadores.

Numa primeira fase, ouviu-se muito ‘The King of Limbs’, o último álbum editado pela banda, com o público, mais de 55 mil almas, a formar uma massa enorme e compacta em frente ao palco. Em coro, milhares de vozes juntaram-se, em praticamente todos os temas, à de Thom Yorke, enquanto a massa se movia, balançava e até dançava, experimentando a múltiplas sensações que o sonoro dos britânicos provoca. Como que presos e suspensos na teia tecida pelos Radiohead, corpos e almas na plateia divagavam pelo éter, perscrutando sentimentos e sensações só possíveis em momentos assim.

‘Paranoid android’, ‘There, there’, ‘Street spirit (fade out)’, ‘Morning Mr. Magpie’, ‘Bloom’, ‘Feral’ e ‘Bodysnatchers’, entre muitos outros temas, fizeram as delícias dos presentes. Muito bom…

A expectativa era grande e a banda cumpriu, oferecendo duas horas de música extraordinária que se pode traduzir numa palavra: experiência!

No Palco Optimus, os Paus, logo às 18h30, lograram reunir à sua frente uma pequena multidão que brindaram com temas do repertório que agitaram as massas, especialmente nas filas da frente.

‘Tronco nu’ e ‘Pelo pulso’ fecharam um concerto que fez jus ao hype em torno do quarteto lisboeta.

Seguiram-se os The Kooks, que a custo mantiveram as hostes animadas, e antes do concerto mais aguardado, Caribou preparou como se queria o pessoal para os Radiohead.

No Palco Heineken, as Warpaint e os Mazzy Star conseguiram o grande destaquem, antes dos concertos da noite, em que os The Kills e, os muito aguardados, Metronomy foram enormes.

Se depois da viagem com os Radiohead, o som agreste e rude dos The Kills foi um excelente tónico para regressar à Terra, com a eletrónica dançante dos Metronomy a festa pegou.

Joseph Mount confessou que quando soube que o concerto era às 3h10 da manhã havia ficado desconfiado… Porém, a tenda transbordante e dançante que tinha pela frente rendeu-o e ele admitiu-o. ‘The look’, o grande hit do mais recente disco ‘English Riviera’, levou o pessoal ao rubro, com os milhares de resistentes a entregarem-se à dança desenfreadamente. Contudo, a curta atuação de pouco mais de uma hora, deixou toda a gente com (muita) água na boca…

Os portuenses Best Youth levaram até ao Palco Clubbing, logo no arranque do último dia do festival a sua pop fresca, que pisca o olho à pista de dança e que tem a grande virtude de deixar quem a ouve bem-disposto e divertido. Estiveram à altura em mais uma boa representação de Portugal no cartaz da edição 2012 do Alive!

No Coreto, Cais do Sodré Cabaret emprestaram condimento kitsh que um evento destes também precisa, enquanto os também portuenses The Chargers mascararam a noite de forma irreconhecível.

Passaram pelo Passeio Marítimo de Algés cerca de 155 mil pessoas, em mais um estrondoso sucesso do Optimus Alive!, que não facilitando na composição do cartaz, consegue passar ao lado da crise!... Foi bom, mas agora só há mais para o ano… a 12, 13 e 14 de julho, no local habitual.

[n.d.r.] Este texto é dedicado à Joana e à Sónia…

Fotogaleria:

Fotografia: Sofia Salgado Mota