Mudança |
| Autor: João Borges |
| Terça-feira, 17 Julho 2012 23:52 |
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"As palavras, infelizmente, não mudam a realidade, mas ajudam-nos a pensar, a conversar, a tomar consciência. E a consciência, essa sim, pode mudar a realidade." Esta frase foi proferida por Sampaio da Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa, durante as comemorações do Dia de Portugal. De todo o excelente discurso, esta foi a frase que retive com mais força, e que mais força me deu. No mesmo dia que que descobri esta reflexão, tive um debate com um amigo, que muito respeito, mas que tem uma visão diferente da minha relativamente a este tema. Diz que sou um sonhador, não me condenando por isso, mas tentando chamar-me à realidade. Acha que a mudança é impossível, que o ‘sistema’ está montado e que é no ‘sistema’ que sabemos viver. Acha, e com razão, que somos parte desse ‘sistema’. É verdade, mas...não será exactamente pelo facto de fazermos parte dele que temos oportunidade, e capacidade, para o mudar? Aqui há uns tempos, também durante outra conversa do mesmo tipo, alguém me disse: “se grandes ‘profetas’ não conseguiram mudar o mundo, como é que nós vamos conseguir?”. Realmente é uma pergunta difícil e legítima, para a qual não tenho resposta. Pensei bastante sobre o assunto (ainda penso), não encontrando qualquer resposta mas chegando a um raciocínio que, por mais errado que possa ser, ao ser partilhado poderá despertar outros raciocínios e, eventualmente, ajudar a construir respostas. Ao fim de contas, este é o objectivo destas crónicas. Não pretendo apresentar respostas, apenas explorar possíveis caminhos que nos levem, em conjunto, até elas. Existem vários personagens referidos naquela conversa como ‘profetas’, lutadores da mudança, puros e intocáveis, que dedicaram a sua vida a contribuir para um mundo melhor e a influenciar pessoas, seguidores, nesse caminho. Eu acredito piamente que todo o impacto que criaram, por mais ‘local’ que possa ter sido, foi parte de uma potencial grande mudança no mundo mas, realmente, se olharmos de uma forma global, o mundo continua na mesma, depois da sua passagem. Os valores sobre os quais grande parte das sociedades se regem não mudaram. As dimensões relacional, espiritual, intelectual e emocional continuam claramente sobrepostas pela dimensão física, que impera e que lidera grande parte dos conflitos e dos problemas do nosso globo. Então às tantas dei por mim a pensar: estas pessoas, realmente, não faziam parte do ‘sistema’, será que era esse o problema? Eram pessoas super diferenciadas, únicas, ‘fora da caixa’. E será possível mudar o que está dentro da caixa quando vivemos fora dela? Ou será que é preciso ter um pé fora e outro dentro, compreender os dois mundos, viver e fazer parte desses dois mundos, falar as duas línguas, para conseguir construir uma mudança consistente e eficaz? Não tomo este raciocínio como certo, de todo, mas acredito que faça algum sentido. Sei que é uma abordagem controversa, mas quero deixar claro que é um pensamento humilde, apenas na busca de respostas e caminhos. Eu próprio encontro várias formas de o desafiar e refutar. Acima de tudo, aquilo em que acredito é que sem sonhadores não há sonhos, e sem sonhos não há vida nem mudança. Também acredito que este momento histórico que atravessamos desperta todos os dias muita gente para a dura realidade em que vivemos, e que em todas essas pessoas existe o potencial da geração de mudança. Acredito que a inevitabilidade de fazermos parte do ‘sistema’ possa ser transformada no nosso grande trunfo para o mudar. Em todos nós existe a capacidade de moldar o futuro, e essa é, sem dúvida, a grande magia da nossa existência. Leia também:
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