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Remedio Santo para uma sociedade altamente "civilizada" (Baseado na obra Eça de Queirós) |
| Autor: Samantha Pereira |
| Sexta-feira, 20 Julho 2012 22:58 |
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A Cidade e as Serras é um tesouro português deixado por Eça que, ao atravessar os seus últimos anos de vida pintou neste romance a beleza da essência portuguesa, caracterizando cada pormenor na tentativa de ilustrar e enaltecer os valores da nossa sociedade. Eça contrapôs Portugal a Paris, afirmando de forma hiperbólica e caricatural que a civilização e a cidade não suprem a vida rural e humilde, repleta de vivacidade e júbilo. Na minha opinião esta obra é um retrato impressionista que para além dos elogios presenteados a Portugal nos agarra e transporta para todo o espaço e tempo em que a história decorre. Sendo este o primeiro romance que li de Eça posso afirmar que o autor de uma maneira muito acessível faz-nos compreender cada personagem. apresenta-nos um Jacinto repleto de razão mas escasso em experiência, no lado oposto Eça coloca o narrador, que todo ele muito experiente, tem em pouca quantidade, aquilo a que ignorantemente chamamos de inteligência. Esta obra aplica-se ao nosso avançadíssimo século XXI que é nada mais nada menos que uma cópia pormenorizada dos dias em que vivia o autor, uma sociedade baseada em aparências supérfluas e pobre em valores, muitas vezes achando-se superior a todos outros ditos “menos” civilizados, por mais ou menos riqueza , cultura, etc. Supondo conseguir encontrar uma solução para esta futilidade de todo vulgar, propunha que os nossos mais ilustres senhores(as), os quais fazem da nossa sociedade uma comunidade civilizada deixassem por apenas vinte e quatro horas o seu o gel fixante no “202”, e que parassem o fabrico de laca que de um modo lustroso esconde o sebo gorduroso daquelas máquinas pensadoras, que fixa ideais ditos evoluídos que nos ajudam a acompanhar o progresso cientifico, se os caríssimos se preocupassem em desembaraçar todos os nós feitos pelas pequenas tranças entrelaçadas desde a raiz até à mais espigada ponta e se preocupassem em reparar os fios ressequidos, quiçá com uma ida ao tosquiador se resolvesse o problema, estou certa que este cidadão aumentaria exponencialmente o seu capital, com tremendo arraso de perucas e cabelos. Aplicaríamos assim o conceito de civismo fazendo justiça, por exemplo, face às desigualdades entre o espaço rural e o citadino, deixando de lado as máscaras tosquiando os nossos próprios cabelos e provavelmente viveríamos de uma maneira mais livre solta e genuína não escondendo aquela caspa que nos torna aparentemente civilizados pois, por vezes a única coisa que faz de muitos serem reconhecidos como gente civilizada é apenas o cartão de cidadão. Se Eça voltasse cá para ver esta sociedade creio que não aplicaria a civilização do seu romance ao século XXIII mas sim ao nosso atual. Talvez o autor pensasse que tudo demoraria algum tempo a degradar-se. Já eu na minha sincera esperança esperando que seja a última a morrer, resta-me esperar que apareçam vários Jacintos que entendam a verdadeira dádiva que é a vida ou talvez um ou dois Zé Fernandes que repreendam com um punho serrano as novas gerações quebrando assim a indiferença para que todos possamos viver a vida disfrutando-a ao mais alto nível. Respeitando o artigo V da declaração universal dos direitos humanos (“Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante”), talvez retirasse o “punho serrano” do nosso narrador numa tentativa de não escandalizar a sociedade civil que de uma forma íntegra respeita cada palavra registada nesta declaração. |



