SOBRE O AUTOR

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As revoluções são aniquiladas pelos ódios

Autor: Joaquim Morais
Segunda-feira, 30 Julho 2012 21:56
 
  1. PELAS IDEOLOGIAS

 

Houve de facto um empenhamento sectário em tudo idêntico ao que aflorou com o maior rigor e o mais negro dos ódios, quando do advento da república em 1910, tal como neste 25 de Abril, procurou-se destruir os mesmos valores e os mesmos símbolos, no ódio à Casa Real. Pretendeu-se inculcar a ideia de que a História de Portugal só começara em 5 de Outibro.

Na senda do ódio desta Revolução, fez crescer entre os Portugueses e refazer a ideia eufórica republicana dos anos 10, como se a História secular desta Pátria e deste Povo tivesse começado não com o Conde D. Henrique mas com individuos fardados em 25 de Abril de 1974.

A história tem vindo a provar que não são as ideologias que mais separam e dividem os homens. O que divide e promove a guerra entre os homens são – o sectarismo e o ódio – o que mais destrói e sufoca os movimentos de libertação humana não é luta ideológica mas sim a revolta dos ódios imperdoáveis.

De toda uma conduta de excessos e trapaças que mancharam a Revolução foram os pseudo-revolucionários e com eles todos os oportunistas e medíocres que tortuosamente se lhes colaram, destroçando o País, traindo o Povo e conquistando em pouco tempo o disparate revolucionário, trata-se efectivamente da – mediocriacia, a sedução da demagogia, que despudoradamente à sua sombra da Revolução, transviou o País e o Povo que generosamente acreditou nos valores perenes da democracia participada.

Para muitos a democracia passou a ser tudo. Ser democrata é ser revolucionário, progressista. Lá estava mestre CUNHAL a reclamar pelas mais amplas liberdades democráticas, pois até MUSSOLINI chamava à ditadura fascista uma forma superior de democracia, tudo é democracia e ai daquele que não seja democrata. Nos conceitos de democracia e socialismo, agitados históricamente, confundiu-se um submundo de ideias, contraditando-se mutuamente. Há efectivamente uma vontade indómita e uma preocupação constante ( partidária) de cada um vender o melhor que pode a sua mercadoria, eivada muitas vezes de falsidades, citando o exemplo das mais amplas liberdades .LENINE afirmava que, “Tomada à parte, nenhuma democracia proporcionará o socialismo”, contudo pergunta-se como tomar a democracia no seu conjunto, para a partir dela rumar ao socialismo? A democracia mesmo formal, sem ser só política ou económica, torna-se um sistema de adaptação e promoção das elites gestionárias. O homem o que pretende é justamente a conquista do bem-estar social, mesmo sacrificando algumas fantasias libertárias. Enquanto MARX imaginava a reconciliação entre a vida privada e a vida da sociedade pela supressão do Estado Burguês, o Capitalismo encerra no seu mecanismo os instintos, os sentimentos e a própria liberdade que o deveriam contestar.

Ramalho Ortigão escreveu nas Farpas “ porque a liberdade por mais bela que ela seja é na existência uma circunstância, a ordem é a condição  essencial, intrínseca da vida, a garantia do trabalho e a segurança do pão”. A autoridade é uma estrutura necessária e uma liberdade futura. É indispensável que a autoridade promova a liberdade.

A Revolução foi portanto defraudada, não a do 25 de Abril da esperança mas a do 25 de Abril conspurcada e impura, muito por causa da infelidade e incompetência confessa, daqueles que se arrogaram os defensores da Pátria, marginalizando e ostracizando os verdadeiros Patriotas, subalternizando os valores éticos, que foram sempre mesmo nos grandes  momentos de crise nacional, o sustentáculo da nossa independência . Afunda-se num mar de palavra fácil e sem nexo cujos “slogans e frases-mito são a demagogia e a vacuidade de ideias, contrárias ao sinal promissor da madrugada histórica. É o desconsolo e a frustração de todos aqueles que legitimamente acreditaram nos ventos de mudança. Não se pode vender ideologias nem apagar da história os factos menos bons com conquistas já institucionalizadas, portanto do interesse da Nação.

Inerente a todos este desmandos, lembramos a paralisia das empresas,face à ocupação anárquica, desorganizando-as empeçando todos os mecanismos de produção, depauperando o valor patrimonial, proveniente de gerações laboriosas, que com sacrifício edificaram pedra a pedra a tangibilidade dos seus bens, foi inapelavelmente resvalando para a situação de decadência e penúria.