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Barco Rock Fest (dia 2): Ataque ninja em final de noite impiedoso |
| Autor: Pedro Vasco Oliveira |
| Sexta-feira, 03 Agosto 2012 18:41 |
Um metaleiro guitarrista, um rasta metaleiro baterista e dois geek techno boys nos teclados e samplers resulta numa mistura sonora excitante e explosiva que dá pelo nome de Ninja Kore. Parecem-se com The Prodigy, não soam a The Prodigy… até ao momento de remixarem The Prodigy! Complicado? Nem tanto. Energia a rodos, ritmo alucinante e eletrónica profusa! O contágio é imediato e inevitável e, tal como os ingleses, levam o público ao delírio. Foi com as remixes de The Prodigy, entre as quais 'Smack my bitch up', que os Ninja Kore conquistaram, em definitivo (se dúvidas havia!), o ainda pouco público (mas mais do que no dia inaugural e mais jovem), mas cuja vontade de libertar a energia contida nos corpos e nas almas era voraz! E quando assim é, nada como uma pequena, mas brilhante, centelha sonora para que a coisa pegue fogo. E pegou!...
Isso começou a ser-lhe dado a provar pelos The Last Internationale, mas foi, sem dúvida, a banda de Sesimbra que arrebatou o pessoal, que rapidamente levantou uma enorme nuvem de pó, tal era o mosh… Foi bonito de ver, até porque nos grandes festivais as frentes da plateia estão cobertas por alcatifa, por isso… não há pó!... Mais agradável, mas há momentos em que é bonito ver os corpos correrem desenfreadamente, embatendo uns contras os outros, num corrupio constante e frenético, num estado de quase (sã) loucura!...
De máscara de ski nos rostos, os Ninja Kore foram denunciados pela indumentária e pelos cabelos, com as suspeitas sobre os seus seres musicais a serem confirmadas pela música que debitaram no concerto que fechou o palco do BRF’12 no segundo dia. Os Ninja Kore foram uma confirmação no cartaz de última hora, rendendo os britânicos 2:54, que cancelaram a viagem até à freguesia de S. Cláudio de Barco, em Guimarães! É muito difícil não aderir ao electro-rock-drum&bass-(e até)pop dos Ninja Kore, porque a energia debitada é tanta que é quase impossível ficar indiferente. No entanto, os rapazes sabem o que fazem e são interpretativos… E se parecem uma coisa, mas até nem soam e só o admitimos quando essa coisa é mesmo tocada, a todo o momento o quarteto varia a paleta de sons e ritmos, mantendo a chama na plateia viva, fornecendo-lhe amiúde combustível sonoro para que o fogo ali reacenda!
Os blues e o folk carregadinhos de rock’n’roll do grupo de Nova Iorque ganham bastante com o virtuosismo dos músicos e com a atitude de Delila, a vocalista. A banda parecia estar em casa e foi com ela que o público ensaiou as primeiras experiências mosh!...
Como o título de um dos temas que tocaram, 'The world inside my head', os The Last Internationale deram a sapatada na melancolia que os Com a banda de Barcelos, tufos de três, quatro e, no máximo cinco pessoas, na maioria sentadas no chão, pontuavam o vasto e ótimo recinto, enquanto o sexteto divagava pelas ondas sonoras das suas criações. Foi uma bela atuação, mas desasjustada para o local e, digamos mesmo, as necessidades do jovem público, ávido por emoções fortes e agistadas!...
Pelo palco, no segundo dia, passaram ainda os Alto!, Killimanjaro, Last Chance e Sound Maker, que abriu as hostilidades. Hoje e amanhã há mais rock na praia fluvial de Barco, em Guimarães, com Dead Combo e Supernada a serem os mais esperados!... Fotografia: Pedro Vasco Oliveira Leia também: |

De facto, o público que gosta e marca presença na praia fluvial de Barco, na sétima edição do Barco Rock Fest, estava já a necessitar de um dose sónica substancial para não esmorecer. Especialmente depois do erro de casting, não pela atuação que foi boa e bastante interessante, mas pela exigência sonora que um festival comporta. Seria um concerto fabuloso e acertado num Jazz na Relva, em Paredes de Coura, ou para as tardes do aniversário de Serralves!...
Antes a única banda internacional presente no cartaz, The Last Internationale, que conta com dois lusodescendentes no grupo, não é desconhecida dos portugueses e isso foi visível à beira do Ave!... O guitarrista Edgey, com raízes em Arcos de Valdevez, experimentou-se mesmo a falar um pouco de português, proferindo a frase da noite a propósito do local onde estavam os seus cd à venda: “Junto aos matrecos tables”… Delicioso!




