As famílias dos estádios

Autor: Cláudia Fernandes
Quarta, 08 Agosto 2012 22:05

Para alguns olhares, não passam de um “bando de desocupados com tendência para a criminalidade”. Para alguns olhares, são uns “marginais que só estão bem a armar confusão”. Não será esta uma visão redutora e generalizada de um grupo de pessoas? Chama-se estereótipo.

Pode ser que no meio de um milhão de adeptos de futebol, exista gente voltada para esse campo, mas daí a generalizarmos olhando para as claques como um todo, acho que é demais. Em todo o lado há as boas e más pessoas, os indivíduos correctos e os menos correctos. Estejamos nós no supermercado, numa firma de advogados, no tribunal, nos debates parlamentares, no mercado, na missa…

Pegando num exemplo prático, e recente, se formos atentar no violador de Telheiras, que é português, iríamos gostar de ouvir, os outros países a nomear os portugueses como violadores? Estariam, pois, a decalcar a característica de um indivíduo e atribuí-la a todos os indivíduos do seu grupo, neste caso todos os portugueses. Gostaríamos nós, portugueses, de sermos olhados como violadores, apenas porque houve um indivíduo que praticou esse crime? Não.

Do mesmo jeito, imagine você, cujo filho anda na escola, numa turma que tem um aluno mal comportado, com tendência para arranjar problemas. Iria aceitar que os professores pusessem de parte toda a classe por causa de um indivíduo apenas? Mais uma vez, não.

Então, com que direito, julgamos nós as claques como um todo, sendo que cada uma é constituída por uma miscelânea incrível de pessoas, oriundas de todos os estratos sociais, de todas as etnias? Pode haver marginais, como os há em toda a parte, mas o facto de haver é caso para generalizarmos a todos os elementos? Não. É errada essa forma de encarar as coisas.

As claques, quer muitos gostem quer não, fazem parte do colorido do futebol. Que seriam os clubes sem os seus adeptos? Nada.

Eu encaro as claques como um grupo de pessoas com um denominador comum – amor a um clube. E este amor é transformado em apoio, em viagens aos campos dos adversários, em críticas quando a equipa não joga bem, em vestir a camisola do clube e estar ali nos 90 minutos com o coração nas mãos, quando o jogo não corre tão de feição. Não há direito em dizer que as claques é violência, agressividade grátis umas contra as outras. Temos sempre a tendência de só olharmos para as coisas más e nisso, infelizmente, temos a particular ajuda dos Media que, na eventualidade de acontecer algo de menos bom com elementos ligados a alguma claque, já mandam o ataque completo à claque.

Eu sempre respeitei muito as claques. Principalmente desse que, em 2008, tive de fazer uma reportagem para a Universidade e escolhi os Super Dragões. O que eu encontrei foi, ao invés de um “bando de marginais”, uma família unida em prol de um objectivo – apoiar o FC Porto. Fui bem recebida, fui tratada com todo o respeito, falei com pessoas de todos os estratos sociais, com todos os níveis de formação possíveis, homens, mulheres, jovens, menos jovens… E, no final, fiquei com orgulho por o meu clube do coração ter gente tão dedicada a ele.

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