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Quando nada, é tudo

Autor: Maria João Costa
Quinta-feira, 09 Agosto 2012 23:18

O problema não és tu, sou eu - Quando nada, é tudo

Não queria escrever sobre isto, mas é quase tão inevitável como não falar de hormonas no verão. Um dia ia acabar por acontecer, ia acabar por tentar explicar o “nada”. Tentar, só isso.

Elas não são complicadas, só precisam de atenção. Demonstrações públicas de afeto só adiam o inevitável: a conversa do “Não Tenho Nada!”.

Já é um bom começo quando ele percebe que ela não está “nos seus dias”, mas daí até percebe-la vai uma distância de quatro perguntas, uma caixa de chocolates, dois abraços e uma conchinha antes de adormecer.

“Eu fiz alguma coisa?”; “Esqueci-me do jantar?”; “não reparei?”; “queres que apague o número dela?”. E dão início à consulta. 

Começam por negar, achando que a culpa da má disposição dela é da melhor amiga. Quando percebem que precisam de um advogado, iniciam a fase de negociação, e relembram o convite para jantar da semana passada, e aproveitam para adiantar a “compensação” no mesmo dia, com as flores e o violino enquanto ela escolhe o prato. Quando ela não vai em cantigas, invertem-se os papéis, ou antes, ela deixa escapar um “é tudo”.

É a falta de tempo, é a falta de um “tenho saudades”, é o adiar de mais. 

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