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EDP Paredes de Coura (Dia 0): Um amor com 20 anos, cheio de música e momentos inesquecíveis |
| Autor: Pedro Vasco Oliveira |
| Sexta-feira, 10 Agosto 2012 17:05 |
São já muitos os festivaleiros que acampam nas margens do Coura, mas este fim de semana serão ainda mais os que, de mochila às costas ou nas bagageiras dos carros, rumarão a Paredes de Coura, ou não fosse a praia fluvial do Tabuão um local tão apelativo.
É, aproxima-se a derradeira etapa dos grandes festivais e a eleita por muitos festivaleiros que gostam de unir grandes momentos musicais com o convívio e a Natureza! Daí não ser de estranhar que Paredes de Coura já esteja há uns dias mais agitada e concorrida do que o costume. Exatamente, o EDP Paredes de Coura 2012 (PdC’12) arranca já na próxima segunda-feira e, nesta 20.ª edição (20 anos!), proporciona uma espécie de semana inglesa de férias nas margens do Tabuão com banda-sonora de exceção. O festival ganhou mais um dia, o fim de semana foi excluído do cartaz e este é o mais português dos últimos anos.
“Escolhemos fazer um festival semanal porque estávamos na esperança de conseguir algumas bandas que privilegiam festivais para 100 mil pessoas, pelo que apostámos num calendário diferente. Por outro lado, é a possibilidade de se passar uma semana se férias num local fantástico e com música de qualidade”, explica João Carvalho, programador do PdC’12, para quem o grande número de bandas nacionais não enfraquece o cartaz, bem pelo contrário, frisando que este se mantém fiel ao que o festival tem sido sempre! Da meia centena de concertos previstos 16 são nacionais, com Dead Combo e Ornatos Violeta a terem mesmo honras de fecho do palco principal no derradeiro dia (17)!...
“Sim, é o cartaz mais português dos últimos anos, mas por causa dos dois primeiros dias, porque nos dias 15 e 16 não há nenhuma banda portuguesa”, explica João Carvalho, deixando encómios aos músicos portugueses: “A verdade é que estamos num grande momento de produção nacional e a escolha é que foi difícil de fazer. Todos os dias recebo contactos de bandas que me dizem que foi por causa de Paredes de Coura que formaram uma banda, ou que o festival é a sua grande influência musical, mas não podemos ter as bandas todas… A escolha é que se torna difícil…”. Uma escolha nada complicada foi a dos cabeças de cartaz de sexta-feira, dia de fecho de 20 anos de música na praia fluvial do Tabuão.
Aliás, com um pouco de imaginação, e apesar do aparente paradoxo, encontram-se pontos de contacto entre a efémera vida da banda do Porto e o resistente festival de Paredes de Coura. “Foi como entrar, foi como arder, (…), foi mudar o mundo…”! Uma leitura com imaginação da letra de ‘Chaga’, um dos êxitos extraídos do segundo e último álbum dos Ornatos (‘O Monstro Precisa de Amigos’), como que expõe isso mesmo, pois ambos desde que apareceram mudaram a vida de muita gente! E aquele entrar e arder, volta a mudar o mundo da música
“Estou muito satisfeito com o cartaz, mas se me perguntares se era o que pretendia de início, e até o que tínhamos previsto, tenho que ser sincero e dizer-te que não. Mesmo assim estou muito satisfeito com o cartaz, que é um cartaz à Paredes de Coura… De resto, a venda de bilhetes está, de certa forma, a superar a do ano passado, que foi uma edição fantástica”, argumenta, explicando os contratempos surgidos: “As dificuldades em fechar o cartaz aconteceram devido ao facto de muitas bandas terem cancelado as digressões previstas, o que nos levantou alguns problemas. E acabámos por fechar o cartaz mais tarde com o objetivo de conseguir mais alguns nomes fortes”.
Kasabian, dEUS, Digitalism, God Is An Astronaut, Patrick Watson, School of Seven Bells, The Temper Traps, Anna Calvi ou The Whitest Boy Alive são alguns dos nomes fortes da edição 20 anos de Paredes de Coura, mas como João Carvalho sublinhou, a matriz do festival mantém-se com a mistura de alguns nomes já consagrados com outros que estão a despertar e que ali debutam aos olhos e ouvidos dos portugueses… e não só! “Para além de alguns nomes consolidados, voltamos a ter um vasto leque de bandas menos conhecidas, mas cuja qualidade não se questiona. Por isso é um cartaz à Paredes de Coura, o festival que deu a conhecer o maior número de bandas em Portugal, muitas delas que depois são cabeças de cartaz noutros festivais”.
A Ritmos habituou o público do seu festival a cartazes competentes, onde há sempre algo a descobrir. Ser surpreendido é propósito maior do público num concerto ao vivo… Isso mesmo, juntamente com o local idílico onde se realiza, torna o festival de Paredes de Coura em algo único, em cujo espírito é igualmente singelo. “Em 2011 tivemos o ridículo número de zero queixas. Digo ridículo, porque há sempre algumas queixas em todos os festivais, seja por pequenos furtos, ou até por alguns problemas entre os festivaleiros, mas no ano passado a GNR registou zero queixas. E até na Cruz Vermelha me foi dito que tiveram muito pouco que fazer. Isto significa que o público que vem a Paredes de Coura é pacato e ordeiro e vem para ver e ouvir as bandas… Isto marca a diferença para muitos dos outros festivais. Algumas pessoas que estavam de certa forma zangadas com Paredes de Coura, no ano passado fizeram as pazes e este ano vão querer vir novamente”, sustenta João Carvalho para quem o festival “é um amor com 20 anos”.
“Um amor com 20 anos para mim e para os meus sócios… e não tenho pejo nenhum em falar de amor relativamente a este festival. Costumo dizer que fazemos um festival no nosso quintal, porque era ali que brincávamos quando éramos miúdos. Mas também foram muitas as dificuldades e as frustrações que tivemos ao longo de 20 anos... Agora, com a experiência do Primavera Sound no Porto, é que temos a verdadeira noção do quão mais fácil é fazer as coisas numa cidade, onde tudo se torna mais fácil”, afirma João Carvalho, que deixa um lamento: “Paredes de Coura é uma terra que tem perdido população, já perdeu as Urgências noturnas, parece que vai perder o Tribunal e as Finanças e, depois, não tem um hotel, o que torna tudo muito mais complicado. A Câmara faz o que pode e o que não pode, mas isto é uma terra pequena, que luta há muito por uns acessos condignos… São cerca de 1000 pessoas que trabalham no festival e muitas delas têm que ir dormir ao Porto e a outras localidades vizinhas, porque aqui não há hotéis. Houvesse três ou quatro hotéis e estariam lotados. Posso mesmo dizer que há atualmente um mercado paralelo de aluguer de casas… Por isso, não é de mais dizer que o festival vai mantendo a terra viva”. Mesmo assim, e apesar das dificuldades, o programador não tem dúvidas: “Tem sido um prazer organizar este festival nestes 20 anos e esperamos fazê-lo mais 20, 30 ou 40, quem sabe… Pelo menos deixar semente para que ele possa perdurar no tempo”. Para já, aguarda-se que os artistas que vão pisar os quatro palcos, que no fundo são cinco, do PdC’12 deixem boas memórias ao público e que estas perdurem no tempo. A abertura, na segunda-feira, na tradicional receção aos campistas, é totalmente portuguesa, e se os Ornatos Violeta, até por todo o hype que envolve o regresso da banda, centram muitas das atenções no último dia, também dEUS e Kasabian, os cabeças de cartaz dos dias anteriores, são esperados com grande entusiasmo. Mas outros nomes criam um certo alvoroço nas almas mais adictas a estas coisas da música…
Pela noite dentro, a partir de quarta-feira, o palco After Hours tem igualmente um alinhamento de luxo, com destaque para Kravinsky, Crystal Fighters e Chromatics. Para os vespertinos há Jazz na Relva, o chill out perfeito para retemperar forças para a jornada noturna. Até porque se pode sempre ir ali ao lado mandar um mergulho para refrescar. E ‘the last but not the least’, o Palco JN volta a dar espaço a jovens bandas portuguesas. A Beta Movement, Elektra Zagreb, Killer Mustang, O Pinto, Quelle Dead Gazelle e The Big Church of Fire foram os grandes vencedores do concurso efetuado pelo jornal diário e, como prémio, uma por dia, têm a possibilidade de se estrear em Paredes de Coura. Provavelmente, o futuro da música portuguesa no que às novas tendências diz respeito passa por aquele palco. Esperemos que o tempo ajude e os cinco dias à beira do Tabuão possam uma vez mais perdurar no tempo pelas melhores razões! Os passes para os cinco dias custam 80 euros, com direito a campismo, enquanto o bilhete diário 40 euros. Fotografia: Sofia Salgado Mota e D.R. Leia também: |




Mas o EDP Paredes de Coura (PdC’12) é muito mais do que Ornatos, se bem que são a grande atração do festival. Dificuldades inesperadas atrasaram a composição do cartaz desta 20.ª edição, mas João Carvalho está convicto que este é mais “um cartaz à Paredes de Coura”.
Este ano, para além da visibilidade que vai dar ao que se faz em Portugal, há outros projetos a atentar, como Japandroids, Tune-Yards, Deer Tick, Dry The River, Memoryhouse ou Kitty Daisy & Lewis…
God Is An Astronaut, Digitalism, School Of Seven Bells, Sleigh Bells, Deer Tick, Patrick Watson (sempre muito interessante), Kitty Daisy & Lewis, Stephen Malmkus & The Jicks, Friends, mas também Paus, Dead Combo ou Best Youth são concertos que se aguardam com expectativa, sempre com o fito de se ser surpreendido.


