Há uns tempos dediquei estas linhas a um super-herói do ciclismo e hoje tomei a liberdade de ir buscar outro mito que, felizmente, vi em acção, nos seus bons tempos. Foi-lhe apontado o dedo inúmeras vezes por conduta anti-desportiva com Damon Hill e Jacques Villeneuve – neste último caso valeu-lhe a desclassificação de uma época inteira – e outras tantas vezes. Vi apontarem-lhe o dedo pelo fatídico acidente de Ayrton Senna. Vi-o ter acidentes, alguns graves. Descreviam-no como arrogante, sem alma, com a mania, frio, sem sentimento e uma infinidade de termos que em nada dignificava o ser Humano. O que, compreende-se, o tornava ainda mais fechado do que devia. Até que num belo dia de chuva, o menino iguala o record do ídolo, um tal de Ayrton Senna, e quando é defrontado com isso em plena conferência de imprensa se desmancha em lágrimas deixando todo o Mundo pregado e surpreendido. Afinal havia um coração ali! Vi-o formar a dupla perfeita, na Ferrari, com o Rubinho – Rubens Barrichello. Irritou-me ver as decisões de equipa fazer o Rubinho, por vezes, levantar o pé para o Schumi ganhar. Mas ali estavam depositados milhões e compreendo que assim tivesse de ser, em prol dos objectivos. Acho que o brasileiro foi, de longe, a pessoa que mais gostei de ver a correr com as mesmas cores de Schumi. Vi este homem ganhar o título mundial 7 vezes. Vi-o ser desclassificado. Vi-o bater quase todos os records. Vi-o ser criticado e mal falado pelos companheiros de pista, havia um David Coulthard que não perdia uma oportunidade. Vi a sua arrogância ser vista como complexo de superioridade. Mas o facto é que Michael Schumacher era o grande responsável por eu acordar às cinco e às seis da manhã de um domingo, apenas para ver um grande prémio de fórmula 1. E quando disse o primeiro adeus à competição, a verdade é que a minha magia ficou ali. Sei que regressou. Mas no seu regresso, nada tinha para provar a ninguém. Porque os mitos quando voltam é apenas para encher os olhos aos amantes das modalidades, para que estes se possam deliciar, mais um pouquinho, com a presença deles, os Grandes. E todos temos de agradecer a Schumi o seu regresso. Pois, com ele, voltaram também o glamour e a História ao asfalto. |