Islândia, meu amor

Sábado, 15 Setembro 2012 16:26 | Maria Moreira

« Não se dizem mentiras deliberadas, mas por vezes é necessário evitar a questão.»

Margaret Thacther


Em 2008 a Islândia viu o seu sistema bancário á beira do abismo.A economia islandesa entrou em declínio e o resgaste do Fundo Monetário Internacional foi inevitavél.
Fora do manto protetor da União Europeia e do Euro o horizonte apresentava-se negro para os islandeses.
A falta de notícias da Islândia levava a acreditar que o país mergulhara na crise em que caíra em profundidades nunca antes vista.Triste e sozinho sem a solidariedade dada aos países resgatados da zona euro.


Eis quando notícias de que a economia islandesa se encontra em crescimento e que o país já se encontra a reembolsar o empréstimo do F.M.I surgem.Como é possível que os islandesas estejam já a recuperar? Qual a receita?
Os islandeses revoltados com os políticos que tinham permitido que a situação alcançasse proporções de calamidade, manifestaram-se, e conseguiram que os políticos os escutassem.
A recuperação islandesa guiou-se por duas linhas de ação: deixaram o sistema bancário falir, responsabilizando os investidores estrangeiros e não os contribuintes, e aumentaram as prestações sociais aos mais necessitados, o que permitiu a manutenção do consumo antes de serem implementadas medidas de austeridade.
Os responsáveis pela situação foram a julgamento,existindo condenações. A responsabilização na justiça ajudou a que os sacrifícios pedidos fossem melhor aceites.
O sentimento é o de que o pior resultado da crise global será se os legisladores e reguladores, naquele país, falharem em aprender com os erros do passado, como referiram diversos politicos islandeses.Medidas no sentido de regularizar o mercado bancário para evitar a repetição da situação e medidas draconianas de controlo de capital com objetivo de evitar a fuga de capital do país.
Apesar de persistir entre os islandeses um sentimento de desconfiança em relação aos políticos, as ações dos atuais políticos visam recuperar o nível de confiança, e num esforço de toda a sociedade reanima a economia a um ritmo que a zona euro ainda não consegue.
Como se obedecessem a um pacto de silêncio, nenhum político dos países resgatados fala no caso islandês.Sabe-se lá o que fariam as vítimas da austeridade se soubessem que um país optou por sacrificar os seus credores e proteger os seus contribuintes? Um êxodo de proporções biblícas, quem sabe?
A possibilidade do uso da política cambial que a Islândia tem em relação aos países da zona euro ajudou na recuperação, e fa-los olhar para os países onde a austeridade se torna lei, como uma confirmação de que ficarem fora da União Europeia foi uma atitude das mais acertadas.
A vida na Islândia pode não ser perfeita, mas do ponto de vista de quem vive nos países resgatados pela «Troika» parece o paraíso.A ideia de que um governo age de acordo com os interesses dos seus cidadãos é tão extraordinária como serem governados por extraterrestres.


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