“Perante a grave situação económica e social vivida em Portugal", Merkel "não é bem-vinda”

Quarta, 07 Novembro 2012 14:37 | João Miguel Ribeiro

“Não é bem-vinda”. Uma carta aberta a Angela Merkel, disponível para subscrição pública, é bem clara nas intenções: “deve ser considerada ‘persona non grata’ em território português porque vem interferir nas decisões do Estado Português sem ter sido democraticamente mandatada”.

Uma “carta aberta a Angela Merkel” circula desde ontem na internet para dizer à chanceler alemã que não será “bem-vinda” quando visitar Portugal, no dia 12. As intenções são claras e expressas logo no primeiro parágrafo: “pelo carácter da visita anunciada e perante a grave situação económica e social vivida em Portugal, afirmamos que não é bem-vinda. A senhora chanceler deve ser considerada ‘persona non grata’ em território português porque vem, claramente, interferir nas decisões do Estado Português sem ter sido democraticamente mandatada por quem aqui vive”.

Subscrita por mais de uma centena de cidadãos, portugueses e de outras nacionalidades, a missiva faz questão de separar a “promotora máxima da doutrina neoliberal que está a arruinar a Europa” do povo alemão e acusa Merkel de ter coagido o Estado Português, “com a conivência do Governo, a privatizar o seu património e bens mais preciosos”, hoje disponíveis “a preço de saldo”.

“Não a elegemos. Como tal, não lhe reconhecemos o direito de nos representar e menos ainda de tomar decisões políticas em nosso nome”, reforçam os signatários, que aludem à greve geral de 14 de novembro, “com outros povos irmãos”, como um sinal de contestação à “austeridade imposta pela troika e por todos aqueles que a pretendem transformar em regime autoritário”.

“Sabemos bem que o Wirtschaftswunder, o ‘milagre económico’ alemão, foi construído com base em perdões sucessivos da dívida alemã por parte dos seus principais credores. Sabemos que a suposta pujança económica alemã atual é construída à custa de uma brutal repressão salarial que dura há mais de dez anos e da criação massiva de trabalho precário, temporário e mal-remunerado, que aflige boa parte do povo alemão. Isto mostra também qual é a perspetiva que a senhora Merkel tem para a Alemanha”, acusam.

“Acordámos, senhora Merkel. Seja mal-vinda a Portugal”, despedem-se os subscritores da carta (disponível aqui).


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