Lobo-ibérico: Dez organizações exigem proteção, fiscalização e punições exemplares

Sexta-feira, 08 Novembro 2013 12:58 | João Miguel Ribeiro

lobo cibio bigO abate a tiro da loba-ibérica Bragadinha, no Gerês, levou dez organizações a subscreverem um comunicado a exigir “mais proteção, mais fiscalização e punições exemplares” para os crimes “contra esta espécie ameaçada e protegida na legislação”.

Dez organizações exigem “às autoridades competentes, nomeadamente ao ICNF, ao SEPNA/GNR e em especial ao Ministério Público, uma ação urgente e contundente” nos casos como o da Bragadinha, a fêmea de lobo-ibérico abatida a tiro no Gerês. Em comunicado, as organizações “insistem na utilização plena das ferramentas desenvolvidas para mitigar as consequências desta realidade”, salientando que “o reforço destes instrumentos é crucial para a conservação a longo prazo desta e de outras espécies protegidas”.

A primeira exigência passa pela proteção, em especial como ferramenta para minorar os conflitos entre os lobos e os humanos, especialmente agricultores e pastores: “os ataques dos lobos a animais domésticos, que constituem uma das principais motivações para a perseguição ilegal a este carnívoro, deverão ser minimizados através da eficaz vigilância do gado e indemnizados atempadamente ao abrigo da Lei de Proteção do Lobo-Ibérico”.

“Tem de haver um reforço dos meios de fiscalização”, exigem os signatários, afirmando que “existem no total apenas 15 vigilantes da natureza no Parque Nacional da Peneda-Gerês”, onde foi abatida a tiro a Bragadinha e que são “menos de metade do que seria necessário”, não tendo sequer “as armas necessárias para a fiscalização”.

No comunicado, as organizações defendem também que “os processos-crime têm de ser julgados exemplarmente” e denunciam o “autêntico incentivo à prossecução da ilegalidade e do crime impune” que têm sido as recentes “sentenças ligeiras”, “consumando-se um extermínio que aproxima cada vez mais o lobo-ibérico da extinção”.

As organizações dão um exemplo dessas “sentenças ligeiras”: “na mesma zona de caça onde foi abatida a loba Bragadinha, no ano passado deu-se a morte a tiro de um lobo adulto durante uma batida ao javali. O indivíduo responsável pelo crime foi apenas punido com uma multa de 300€, um valor que se considera irrisório e sem qualquer efeito dissuasor”.

O texto cita dados do Sistema de Monitorização dos Lobos Mortos, implementado pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF): “para os 80 registos de mortes de lobos identificados entre 1999 e 2011, 71 por cento tiveram como causa a ação humana, muitas das vezes em circunstâncias de perseguição ilegal, como por exemplo o tiro, laço e veneno”.

“Dados do CIBIO, obtidos por telemetria no noroeste de Portugal, revelam que anualmente 45 por cento dos lobos da zona são mortos por acção humana e de forma ilegal”, acrescentam as organizações: “esta mortandade é insustentável e levará, se não for travada, ao rápido desaparecimento dos 300 exemplares que ainda sobrevivem em Portugal”.

Os signatários exigem que as autoridades públicas promovam “todas as iniciativas necessárias para inverter a tendência perversa, que conduz à destruição do nosso património natural e cultural”. “O lobo-ibérico é o expoente máximo da biodiversidade da região, sendo a Peneda-Gerês o único parque nacional do país, razão pela qual é absolutamente inaceitável que se possam reproduzir em anos sucessivos situações de ilegalidade impune como esta”, concluem.

O comunicado é assinado por ALDEIA (Ação Liberdade, Desenvolvimento, Educação, Investigação, Ambiente), ANPC (Associação Nacional de Proprietários Rurais, Gestão Cinegética e Biodiversidade), APGVN (Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza), ASCEL (Asociación para la Conservación y Estudio del Lobo Iberico), Associação Transumância e Natureza, CARNÍVORA (Núcleo de Estudos de Carnívoros e seus Ecossistemas), FAPAS (Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens), Grupo Lobo – Associação para a Conservação do Lobo e do seu Ecossistema, LPN (Liga para a Proteção da Natureza) e Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza.


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