Portugueses vivem de subsídios como o burro mirandês, diz o New York Times

Sexta-feira, 29 Novembro 2013 17:42 | João Miguel Ribeiro

nyt bigSer português é, para o New York Times, ser um burro mirandês: um animal de carga que só não está extinto porque vive dos subsídios. Com a foto de um burro na capa, a edição europeia do jornal analisa a situação económica e social de Portugal.

Um trabalho do conceituado jornal New York Times utiliza o burro mirandês como metáfora para o ‘ser português’: um animal de carga em vias de extinção e que só sobrevive graças aos apoios europeus. O jornalista Raphael Minder usa a evolução da agricultura para demonstrar como a mecanização do trabalho e o declínio da população nas zonais rurais são um espelho da sociedade portuguesa.

“Depois de décadas de negligência e, argumentam alguns, de falta de compreensão, o destino do burro acaba por parecer-se com o dos seus parceiros humanos em muitos locais do interior, duramente pressionados: ameaçados pelo declínio da população e com a sobrevivência dependente, sim, de subsídios da União Europeia”, compara o jornalista, que tomou conhecimento da situação do burro mirandês em Paradela, uma freguesia de Miranda do Douro.

Chamando à capa a fotografia de um burro mirandês, a edição europeia do New York Times tem como título “Em Portugal, um burro de carga vive de subsídios”. Os cortes nos fundos europeus para a agricultura são comparados, pelo jornalista, aos cortes nos rendimentos de trabalhadores e pensionistas.

“Hoje, numa era de austeridade, até os burros são levados para o debate sobre até onde a União Europeia deve ir para manter as suas regiões agrícolas”, escreveu Raphael Minder, lembrando como um animal de carga tão importante noutros tempos foi-se tornando numa espécie em vias de extinção.

Agora, ter um burro só se justifica quando vale mais “o amor pelo animal do que os subsídios”, pois nem a agricultura garante a sobrevivência do animal: “à medida que os mais jovens abandonam as zonas rurais pelas cidades, os burros também são ameaçados porque os agricultores que tomam conta deles estão a ficar demasiado velhos para continuarem a fazê-lo”.


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