Vítimas do Meco sem restos de fita isoladora, ao contrário de relato de testemunha

Sexta-feira, 07 Fevereiro 2014 13:35 | António Henriques

policia maritima 600 1Na altura em que o dux João Miguel Gouveia desmente práticas de praxe, no caso das mortes do Meco, sabe-se que os corpos não tinham vestígios de fita isoladora, que indiciavam praxes. De acordo com o Sol, que cita fonte do Instituto de Medicina Legal, não foram comprovados os testemunhos de uma pessoa, que afirmara ter visto os seis jovens com as pernas amarradas com fita isoladora.

Afinal, os corpos dos seis estudantes da Universidade Lusófona recolhidos na praia do Meco não tinham fita presa à roupa, como indicara uma testemunha.

O semanário Sol adianta na edição desta sexta-feira que os exames às roupas não detetaram fita isoladora, no que poderia ser entendido como um sinal de praxe académica.

Fica assim desmentido um testemunho de uma pessoa que esteve no local, aquando do resgate dos cadáveres. Segundo garantiu essa testemunha, os jovens poderiam ter sido “amarrados com fita isoladora preta”, na zona dos tornozelos. Peritos negam agora essa versão.

Pedro Negrão, uma das seis vítimas da tragédia da Praia do Moinho, no Meco, é uma das vítimas que, ainda de acordo com o testemunho, teria fita isoladora. O corpo teria sido fotografado.

Os familiares das seis vítimas mortais, assim que tomaram conhecimento dessa informação, quiseram que as fotos lhes fossem facultadas, no sentido de se verificar se se prova, ou não, práticas de praxe, na noite de 15 de dezembro, que possam ter limitado a ação dos alunos, junto ao mar.

“Como algumas dessas pessoas tiraram fotos, e como se sabe que o corpo [de Pedro Negrão] apresentava na zona dos tornozelos restos das calças (amarrados com fita isoladora preta!?...), solicitamos a quem ainda possui essas fotos que as faça chegar ao nosso email, ou entre em contacto connosco para poderem ser analisadas adequadamente”, revela um comunicado das famílias, divulgado pela RTP.

Por outro lado, as famílias dos estudantes denunciam uma alegada reunião mantida pelo Conselho Oficial da Praxe Académica da Lusófona (órgão do qual faz parte o dux João Miguel Gouveia, único sobrevivente), no dia seguinte à tragédia.

No mesmo comunicado, as famílias das vítimas revelam que têm em sua posse informações importantes. Em breve serão tornadas públicas: “Podemos indicar que estamos a par de muitos factos ocorridos e que ainda não são do domínio público, mas que a seu tempo se saberão”.

Entretanto, o dux João Miguel Gouveia já prestou declarações, como testemunha, garantindo que não houve qualquer prática de praxe académica no Meco. Versão contrária apresentam duas amigas de uma vítima, que mostram, à TVI, uma troca de SMS onde uma vítima conta que iria ser praxada.

Aquele canal ouviu duas amigas de Joana Barroso, uma das seis vítimas do Meco, que garantem que Joana sabia que iria ser praxada.

Alícia Ventura tem na sua posse um SMS que trocou com a sua amiga Joana, a 3 de dezembro de 2013, onde estão denunciados os alegados planos de praxe, marcados para o fim de semana de 13 e 14 de dezembro.

A vítima Joana Barroso terá revelado, nessa mensagem de telemóvel, no dia 3, que iria ser praxada pelo dux João Miguel Gouveia e por dois honoris duces.

Nesse SMS, Alícia pergunta a Joana se iria estar em Lisboa no fim de semana de 13 e 14 de dezembro. A resposta foi negativa, com a justificação de que iria ser praxada. “Que chique”, brincou Alícia. Eis a resposta de Joana: “De chique não tem nada sermos praxados pelo mamute e mais outros mamutes”. Alícia explica depois que “mamute” foi um apelido que foi dado a João Miguel Gouveia.

Esta amiga de Joana Barroso vai mais longe. “Ela sabia que iria haver alguém superior, para além do João [Gouveia] que os iria praxar. Ela sabia que havia mais gente no Meco”, diz Alícia Ventura.


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