Economia



Guerra da Ucrânia é agora económica: Rússia cercada por sanções dos EUA e UE

João Miguel Ribeiro   
Quarta, 30 Julho 2014 10:07

vladimir putinA guerra no leste da Ucrânia faz-se agora ao nível económico. A União Europeia e os EUA insistem que a Rússia apoia os rebeldes e retaliam com sanções, destinadas especialmente ao setor financeiro e à indústria petrolífera. O Kremlin já teve de cancelar um leilão da dívida.

A União Europeia (UE) e os Estados Unidos não têm dúvidas de que a Rússia está a apoiar, sobretudo com armamento, os rebeldes separatistas que colocaram o leste da Ucrânia num cenário de guerra civil.

Como retaliação, Bruxelas e Washington respondem com uma guerra económica, aplicando sanções que visam bloquear o setor financeiro, impossibilitando o acesso dos bancos estatais russo à maioria dos mercados financeiros, e a indústria petrolífera dos russos, através da limitação da venda de tecnologias avançadas.

Herman Van Rompuy, o presidente do Conselho Europeu, assinou um comunicado a explicar a ameaça: “o pacote de novas medidas restritivas que foi acordado pela UE representa um sinal poderoso para os líderes da Federação Russa”.

Qual sinal? “Desestabilizar a Ucrânia, ou qualquer outro Estado da Europa de Leste, acarretará custos pesados para a respectiva economia”, continua o texto: “a Rússia vai encontrar-se cada vez mais isolada pelas suas próprias ações”.

“Os russos e os seus voluntários continuam a enviar armas, fundos e militares através da fronteira”, reforçou John Kerry, o secretário de Estado dos EUA: “estas ações não mostram um pingo de evidência de que eles têm desejo de colocar fim ao conflito”.

A decisão da UE e dos EUA já começou a causar estragos. A Rússia cancelou a emissão de obrigações que tinha previsto para hoje, depois de uma subida dos juros da dívida em 9,45 por cento.

“As sanções económicas estão a começar a surtir efeito, mas poderá demorar ainda algum tempo antes das consequências económicas começarem a ter custos políticos domésticos para a Rússia”, salientaram os peritos do Citigroup, citados pela Bloomberg.

 

“Medidas excecionais” da TAP são "pretensas benesses", responde o sindicato

João Miguel Ribeiro   
Sexta-feira, 25 Julho 2014 11:37

tapA TAP prometeu adotar “medidas excepcionais” para compensar as horas extraordinárias, mas o anúncio foi repudiado pelo sindicato. O objetivo, diz o SITAVA, é “dividir os trabalhadores”, com os bons a receberem “pretensas benesses que o não são” e “desprezando” os restantes.

A TAP emitiu uma circular a informar que vai compensar, com “algumas medidas excecionais e transitórias”, as horas extraordinárias, mas Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) já ridicularizou o anúncio.

Para o sindicato, o conselho de administração (CA) apenas está a “oferecer pouco mais do que o que está consignado no Acordo de Empresa”, o qual “se tem recusado sistematicamente cumprir, argumentando com a legislação”.

Ao “oferecer benesses que de facto não o são”, a CA está a ‘dividir para reinar’, acrescenta o comunicado do SITAVA, salientando que “não pode deixar de repudiar com veemência a tentativa da administração para dividir os trabalhadores entre os bons e os outros, ‘oferecendo’ a estes pretensas benesses que de facto o não são, e desprezando todos os outros”.

Em causa está a circular interna, assinada pelo presidente Fernando Pinto, que promete a adoção de “medidas excecionais” de compensação pelas horas extraordinárias que se têm acumulado desde 1 de junho, a fim de minimizar o impacto das perturbações na companhia junto dos passageiros.

A promessa vai ser aproveitada pelo SITAVA para retomar o debate sobre “o problema dos descansos compensatórios, que são devidos aos trabalhadores desde agosto de 2012 por decisão do Tribunal Constitucional”.

Para a TAP, as “medidas excecionais e transitórias” são “um sinal de reconhecimento e incentivo por parte do conselho de administração executivo”, como refere a circular enviada aos trabalhadores.

“O tempo de voo e o tempo de trabalho realizados em folga e em dia de férias alteradas ou interrompidas (por motivo da realização desse trabalho) passam a ser contabilizados com majoração de 100 por cento para efeitos dos respetivos plafonds”, no caso dos pilotos, enquanto o pessoal de cabine vai receber “uma hora extra caso essa excedência não ultrapasse 60 minutos, ultrapassando este limite originará o pagamento de duas horas extras”.

Quanto ao pessoal de terra, terá um acréscimo no pagamento do trabalho suplementar, que será de 75 por cento na primeira hora e de 100 por cento nas seguintes em dias úteis, passando para os 125 por cento quando o trabalho for prestado em dia de descanso obrigatório, de descanso complementar ou feriado.

 

Voos da TAP cancelados: Entre 50 e 37 por “razões a que é totalmente alheia”

João Miguel Ribeiro   
Quinta-feira, 24 Julho 2014 10:26

tapA TAP vai cancelar dezenas de voos previstos para entre hoje e sábado. O Jornal de Negócios avançou que seriam 50, a Lusa refere serem 37. Por motivos a que diz ser “totalmente alheia”, a transportadora não recebeu os novos aviões e teve de optar pela “reprogramação dos meios disponíveis”.

Entre hoje e sábado, a TAP vai ser notícia por estar a cancelar voos. Depois do Jornal de Negócios ter avançado que o número de voos anulados iria chegar aos 50, a Lusa, citando o site oficial da transportadora, reduz o número para 37: 13 hoje, 11 amanhã e mais 13 no sábado.

Neste momento, o site apresenta a “lista de voos cancelados para os próximos dias”, sendo referidos 48 entre os dias 23 (ontem) e 26. Desse total, 11 foram anulados durante o dia de ontem.

Em causa está a falta de aviões. A transportadora comprou seis novos Airbus, mas alega que não os recebeu por motivos a que diz ser “totalmente alheia”.

“Devido a razões a que a TAP é totalmente alheia, verificou-se um atraso na entrega desses novos aviões, o que obrigou a uma reprogramação dos meios disponíveis e à necessidade de contratar aviões de outras companhias durante o mês de julho, para fazer face aos compromissos assumidos”, refere a nota publicada no site.

A empresa sustenta que contratou os seis aviões “em devido tempo”, ainda antes de terem sido anunciados a introdução de 11 de novos destinos e o reforço das operações em determinadas ligações.

“A TAP pretende cumprir integralmente os compromissos assumidos com os clientes”, salientou a empresa, apelando aos passageiros que ainda não tenham sido contactados para conferirem se o voo para o qual têm reserva faz parte da lista e, nessa situação, qual “a melhor alternativa para a realização das viagens”.

Os passageiros que forem afetados pelos cancelamentos podem ainda alterar a data da viagem “sem custo adicional, na mesma classe de reserva e dentro da validade dos bilhetes”, pedir o “reembolso a 100 por cento” ou receber uma compensação “através de um ‘travel voucher’”.

 

Crise no Espírito Santo talvez tenha, diz Cavaco, “alguns efeitos” na “economia real”

João Miguel Ribeiro   
Segunda-feira, 21 Julho 2014 13:05

cavaco silvaO Presidente da República elogiou a atuação de Carlos Costa durante a crise no Grupo Espírito Santo. O problema pode ter “alguns efeitos” na “economia real” do país, mas “não vêm do lado” do BES. “Considero que a atuação do BdP e do governador tem sido muito correta”, afirmou.

“Alguns efeitos”. A crise no Grupo Espírito Santo (GES) está na ordem do dia, a bolsa portuguesa tem caído enquanto os juros da dívida pública têm subido, mas para Cavaco Silva o problema vai só provocar “alguns efeitos” na “economia real”.

O Presidente da República elogiou a atuação de Carlos Costa pelas “medidas para isolar” o Banco Espírito Santo (BES), “a parte financeira, das dificuldades financeiras da zona não financeira do grupo”.

“Eu, de acordo com a informação que tenho do próprio Banco de Portugal, considero que a atuação do banco e do governador tem sido muito, muito correta”, reforçou o chefe de Estado.

“Haverá sempre alguns efeitos, mas eu penso que não vêm do lado do banco, vêm da área não financeira”, salientou, acrescentando que não terão “significado de monta”.

“O Banco de Portugal tem sido perentório, categórico, a afirmar que os portugueses podem confiar no Banco Espírito Santo, dado que as folgas de capital são mais do que suficientes para cobrir a exposição que o banco tem à parte não financeira, mesmo na situação mais adversa”, explicou Cavaco Silva, em Seul, onde se encontra em visita oficial à Coreia do Sul.

“Como autoridade de supervisão”, o BdP “tem vindo a atuar muito bem” no intuito de “preservar a estabilidade e a solidez” do sistema financeiro português, frisou ainda o chefe de Estado.

Para os afetados diretamente pelos problemas no GES, Cavaco deixou um conselho: “se alguns cidadãos, alguns investidores, vierem a suportar perdas significativas, podem adiar decisões de investimento, ou mesmo alguns deles podem vir a encontrar-se em dificuldades muito fortes”.

“Não podemos ignorar que algum efeito pode vir para a economia real. Por exemplo, em relação àqueles que fizeram aplicações em partes internacionais do grupo, que estão separadas do próprio banco em Portugal”, argumentou.

 

Espírito Santo: BdP teve de deixar “área restrita” para descobrir as irregularidades

João Miguel Ribeiro   
Sexta-feira, 18 Julho 2014 13:52

carlos costaO Banco de Portugal só descobriu as “irregularidades” no Grupo Espírito Santo quando deixou “a área restrita de supervisão”, afirmou o governador, Carlos Costa. E só “foi ver as contas” e “os canais de contágio ao BES” porque os deputados exigiram explicações.

O governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, explicou ao Parlamento a demora na deteção das “surpresas” no Grupo Espírito Santo (GES): não tem uma função direta de supervisão sobre o grupo, pelo que saiu da “área restrita de supervisão”.

“Nem o BdP, nem nenhum outro regulador, descobriria sem sair da sua área restrita de supervisão”, garantiu Carlos Costa, salientando que tal obrigou o regulador a “ver as contas de uma entidade não supervisionada”.

Só assim é que o BdP apurou que “uma parte da exposição” do BES ao GES “vai ter perdas”, embora sem afetar a solvabilidade do banco.

Apesar do receio dos mercados, o banco tem a “blindagem” necessária para enfrentar a situação: “o BES possui uma ‘almofada’ de capital suficiente para a exposição ao GES, mantendo o rácio de capital mínimo de oito por cento”.

Ao sair da “área restrita”, o supervisor conseguiu realizar uma “identificação concreta dos vários canais de contágio ao BES”, depois de “detetada uma situação grave no GES”.

“De um ano para o outro, o passivo financeiro da Espírito Santo Internacional tinha explodido”, lembrou Carlos Costa, argumentando que “a evolução registada na situação financeira da Espírito Santo Internacional poderia implicar danos para o BES”.

Evocando o “princípio da integridade e veracidade das contas”, o governador do BdP sublinhou que “a falsificação dos dados contabilísticos” é um crime, mas cabe aos auditores e revisores oficiais de contas garantirem que os dados apresentados por uma empresa são verdadeiros.

“Para mitigar o cenário de incumprimento da área não financeira do GES”, o regulador exigiu ao BES a apresentação de um plano de recuperação assente em três vetores: liquidez, capital e comunicação. 

 


Página 1 de 252