Carlos Moedas quer “choques” que mudem os “maus hábitos” de “muitas empresas e pessoas” |
| João Miguel Ribeiro | | Quinta-feira, 23 Maio 2013 13:53 | Numa conferência onde era suposto ouvir-se elogios ao setor imobiliário em Portugal, o secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro criticou os “maus hábitos” de “muitas empresas e pessoas”. Perante os investidores estrangeiros, Carlos Moedas apelou aos “choques”.
O secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, deixou fortes críticas ao tecido empresarial português durante uma conferência, em Lisboa, que reuniu investidores imobiliários internacionais. O governante criticou os “maus hábitos” existentes na economia portuguesa, apelando a “choque” estruturais contra os “grupos de interesse, lóbis, vozes minoritárias que beneficiam do ‘status quo’ e uma mentalidade conservadora”. “A mudança”, insistiu Carlos Moedas, é fundamental para modernizar o país e terminar com os “maus hábitos” de “muitas empresas e pessoas”. “Sabemos que mudar é difícil e as companhias fazem tudo para resistir até ser, às vezes, demasiado tarde”, adiantou o secretário de Estado, sublinhando que “a mudança é ainda mais difícil” conforme passa o tempo, pois “muitas empresas e pessoas só acabam com os maus hábitos quando enfrentam os choques”. O “depressivo sumário” dos últimos dez anos da economia portuguesa foi traçado por Carlos Moedas, perante os investidores estrangeiros do ramo do imobiliário: “entre 2000 e 2012 a economia portuguesa cresceu menos que os Estados Unidos durante a Grande Depressão ou o Japão na sua década perdida. É um poderoso, conciso e depressivo sumário da nossa economia nos primeiros anos do século XXI”. O resgate da troika, “este pequeno desvio”, foi descrito como “a exceção à regra”, pois Portugal estava “a convergir com a Europa ocidental desde os anos 60”. Não há, no entender do governante, “razão estrutural ou de longo prazo que proíba Portugal de voltar mais uma vez a este caminho de convergência”. Sobre a temática da conferência, o imobiliário, Carlos Moedas lembrou que Portugal foi dos poucos países onde, entre 1995 a 2009, não existiu “uma bolha imobiliária”: só que houve “uma bolha de despesa”, salientou: “este crescimento dramático da despesa resultou em grandes melhorias no sector público, principalmente na saúde e infraestruturas, mas também gerou uma série de severas distorções na economia”. | Há 14 biliões de euros nos paraísos fiscais que davam para “eliminar duas vezes” a pobreza extrema |
| João Miguel Ribeiro | | Quarta, 22 Maio 2013 15:18 | A Oxfam, uma organização não governamental, acredita que os 14 biliões de euros escondido nos paraísos fiscais permitiriam uma receita, em impostos, de 120 mil milhões de euros, montante que “daria para acabar duas vezes com a pobreza extrema no mundo”.
No dia em que a União Europeia (UE) debate as formas de luta contra a evasão e fraude fiscal, a Oxgam, uma organização não-governamental (ONG) com atividade em 90 países, fez as contas ao dinheiro que está escondido nos paraísos fiscais: 14 biliões de euros, assegura. A serem cobrados os impostos sobre estas verbas, a receita fiscal seria de 120 mil milhões de euros, valor suficiente para “acabar duas vezes com a pobreza extrema”. “O dinheiro perdido equivale a duas vezes o necessário para que cada pessoa no mundo assolado pela pobreza extrema viva acima do limiar de 1,25 dólares por dia. É escandaloso que tanto dinheiro passe ao lado dos impostos, deixando livres aqueles que mais podem pagar pelo bem público e pelo serviço público”, argumentou Kevin Roussell, um dos porta-vozes da Oxgam. Segundo a ONG, “muitos governos garantem que não têm alternativa ao corte na despesa pública e na ajuda ao desenvolvimento, mas nós encontrámos potencial suficiente na taxação do dinheiro privado que se encontra escondido e que chegaria para eliminar duas vezes a pobreza extrema”. Os dados são revelados no dia em que os chefes de estado e de governo da UE debatem, em Bruxelas, a evasão e fraude fiscal. Nas contas da Oxfam, é em paraísos fiscais no seio da UE, como Luxemburgo, Andorra e Malta, que se encontram dois terços dos 14 biliões de euros não taxados. “Os líderes da UE na sua reunião deveriam colocar-se de acordo para agir de imediato de forma a acabar com a evasão fiscal, mas antes precisam de colocar a sua própria casa em ordem”, afirmou Kevin Roussell. | | “O país não pode suportar estas pensões”, diz Catroga, mas “a falha do Governo” é outra |
| João Miguel Ribeiro | | Quarta, 22 Maio 2013 11:42 | Eduardo Catroga, autor do programa eleitoral do PSD, reconheceu que “a falha do Governo” esteve em não fazer “cortes permanentes”, contribuindo para o agravar da situação. “O país não pode suportar estas pensões”, afirma o economista, que propõe a “capitalização virtual”.
Eduardo Catroga, o dirigente do PSD que negociou o resgate da troika e elaborou o programa eleitoral que culminou com a eleição de Passos Coelho para primeiro-ministro, manifesta-se agora desagradado com a forma como o Governo ‘laranja’ tem conduzido a sustentabilidade do Estado social. Em entrevista à Renascença, Catroga admitiu que “a falha do Governo” esteve em apostar no lado da receita, sobretudo através do aumento dos impostos, em vez de reduzir a despesa: “ainda não foram feitos cortes permanentes e aí foi uma falha do Governo. O Governo devia ter começado logo, devia ter confrontado logo os portugueses com a necessidade de fazer três ajustamentos”. O “modelo de crescimento errado” que existe em Portugal, baseado no investimento público, consumo e construção civil, é um desses “três ajustamentos” que deveriam ter sido realizados, a par do equilíbrio das contas públicas e do défice externo. Como esse trabalho não foi feito, os salários e os apoios sociais terão de ser ajustados em baixa, pois “o país não pode suportar estas pensões”, defendeu Catroga. O antigo ministro das Finanças propõe que as pensões e as reformas sejam calculadas através da “capitalização virtual”: os apoios sociais seriam a prioridade e “tudo o resto era distribuído em função da permilagem a que cada um tinha direito”, conforme as contribuições realizadas. Com esta “capitalização virtual” era também possível corrigir “automaticamente” as “reformas altas criadas por regimes muito especiais”, reforçou. A nível político, o quadro do PSD chamou “caprichoso” ao parceiro da coligação, o CDS, e defendeu uma participação mais ativa do PS, semelhante à que o PSD teve quando o Governo de José Sócrates negociou com a troika. A hipótese do Presidente demitir o Governo de Passos Coelho ou dissolver a Assembleia da República foi descartada por Eduardo Catroga: como não está “em causa o regular funcionamento das instituições” seria um ato “antidemocrático”. | Bancos insistem que depósitos estão “seguros” e imunes ao “vírus de Chipre” |
| João Miguel Ribeiro | | Terça-feira, 21 Maio 2013 19:23 | A banca portuguesa está preocupada com um eventual receio popular do “vírus de Chipre”. Em comunicado, a Associação Portuguesa de Bancos assegura que, em Portugal, os depósitos bancários continuam “completamente seguros”, pois o sistema bancário “não está na mesma situação”.
O resgate do Chipre foi condicionado à aprovação de uma taxa sobre os depósitos bancários acima dos 100 mil euros e na zona euro cresce a preocupação sobre a eventual aplicação de uma medida semelhante noutros países, como é o caso de Portugal, também sob resgate externo. Vários responsáveis têm tentado desdramatizar, mas a Associação Portuguesa de Bancos (APB) viu-se obrigada a insistir, em comunicado, que os depósitos em Portugal estão “completamente seguros”. A garantia tem por base a alegada solidez do sistema bancário português, que “não está na mesma situação” do cipriota. Os bancos nacionais estão “com rácios de solvência elevados e confortáveis em liquidez”, pelo que, reforça a APB, estão imunes ao já apelidado de “vírus de Chipre”. Antes do comunicado, já os presidentes do BCP (Nuno Amado) e do Banco Espírito Santo (Ricardo Salgado) apelaram aos dirigentes políticos europeus para pararem de “brincar com o fogo”. O tema foi mesmo destacado pelo Financial Times, que publicou as entrevistas com o sugestivo título de “Bancos portugueses temem ‘vírus de Chipre’”. “Se alguém tivesse desenhado um plano para danificar o mercado europeu, teria sido difícil pensar em algo melhor”, criticou Nuno Amado, referindo-se à taxação dos depósitos no Chipre. “Os líderes precisam de moderar a linguagem”, complementou Ricardo Salgado, alertando que “isto pode ser muito mau”. “Líderes” que deram uma resposta “nada simpática” a Nuno Melo. O eurodeputado, entrevistado pela Renascença, considera que está aberta a porta a uma situação “preocupante”, pois “os depósitos acima de 100 mil euros poderão ser utilizados para a recapitalização dos bancos”. De acordo com Nuno Melo, a Comissão Europeia respondeu que, “para minimizar o impacto sobre os contribuintes, o instrumento de resgate interno previsto nesse enquadramento permitirá a um banco ser recapitalizado através da anulação ou diluição das participações accionistas e da redução ou conversão em acções dos créditos dos credores”. | |