As diretrizes europeias e nacionais, que têm vindo a ser divulgadas recentemente, levantam questões que não nos permitem esquecer a importância de que se tem vindo a revestir a educação para o empreendedorismo. Por outro lado, as teorias, que enquadram esta temática e propiciam a sua investigação, levam à criação de ações de formação e cursos oferecidos aos vários níveis do ensino (básico, secundário e superior).
Nesse âmbito, a intenção é identificar a natureza da ação que sinto ser urgente desencadear de forma persistente e sistemática – a educação em empreendedorismo –, sempre numa atitude de melhoria, numa perspetiva mais abrangente e consolidada. Na minha opinião, a educação para o empreendedorismo cria, pela sua natureza, uma cultura educacional que perceciona o conhecimento numa dinâmica transformadora e evolutiva, em constantes adaptações e, por isso mesmo, inovadora, exigindo eficácia e eficiência na reconstrução dos saberes, na sua reorganização e adequação, desencadeando uma nova conceção da aprendizagem que se pretende contextualizada, ativa e ativante, geradora de sustentabilidade. A finalidade é a sustentabilidade e não o empreendedorismo em si. Trabalhamos, pois, para o crescimento sustentável e em consequência para a sustentabilidade da educação aos vários níveis do ensino. Sexton & Bowman, já em 1984, defendiam que a educação para o empreendedorismo tem de ser considerada como uma extensão do empreendedorismo, a prática continuada de uma reflexão que promova a dialética teoria/prática/teoria, isto é, que leve à construção de um meta-empreendedorismo, continuado e desafiador. Reforço, dizendo que a própria dialética contida na atitude, que caracteriza o meta-empreendedorismo, não valerá per se, mas pela ação que venha a desencadear, ou seja, o crescimento da sustentabilidade. Se queremos que este domínio da educação seja aprimorado, consolidado, formalizado / institucionalizado, é essencial que sejam criados modelos teóricos que sustentem a praxis que, defendo, tem de ser incrementada; para isso, há que pensar as atividades educacionais a promover. Não podemos, também, esquecer a conjugação necessária entre as ações do governo, da educação, do setor empresarial, defendida por Erkowitz em 2002, com a criação do modelo Triple Helix, o qual implica pôr em interação três espaços de perfis diferentes e com funções também elas diferentes, cabendo aos intervenientes em ação, um conjunto de funções de cariz diferenciado, mas exigindo colaboração e cooperação, resultantes da convergência das esferas do governo, da academia, da indústria. Por tudo isso, defendo a tese de que é a educação em empreendedorismo que importa difundir – uma educação mais abrangente que abarque o âmbito geral da educação – formal, não formal e informal, que se implemente na educação de uma forma geral e abrangente, envolvendo todos os níveis e todos os setores. É desta postura, por nós assumida, que nasce o modelo de educação em empreendedorismo implementado na IncubIT. Ele pretende dar resposta aos desafios patentes acima, indo ao encontro das reais necessidades dos clientes, tendo sempre como meta o desenvolvimento económico e social; desenhámos este modelo de educação em empreendedorismo da IncubIT, alicerçando-o na oferta de programas de desenvolvimento de competências empreendedoras. Trata-se de um modelo encarado como um processo integrado, considerando como ponto de partida as seguintes perguntas: What?; How?; Who?; e Where?. What: Promover comportamentos e mentalidades empreendedoras; incentivar a motivação e liderança; incentivar à criatividade, inovação e capacidade de pensar ‘fora da caixa’; desenvolver competências de gestão de complexidade e imprevisibilidade, competências básicas de gestão e finanças; identificar oportunidades, como criar e expandir empresas; desenvolver competências de negociação; desenvolver relações, redes de contactos e capital social. How: Através de Pedagogias de ensino-aprendizagem interativas e centradas no aluno; projetos e programas multi-disciplinares; concursos de planos de negócios, jogos, simulações e estudos de caso; uso intensivo de ferramentas digitais, vídeo e multimédia; recurso a novas metodologias como aprender-fazendo, aprendizagem experiencial/laboratórios (tentativa e erro), participar em projetos, estágios em start-up(s), processos de mentoring e business coaching, interações com empreendedores; Incentivo à aprendizagem ao longo da vida. Who: Alunos e formandos, professores do ensino básico, secundário, profissional e do ensino superior, formadores e diretores/gestores de entidades formativas e educativas, gestores e líderes de outros setores, empreendedores, mentors e coachers. Where: Sistema educativo formal em todos os níveis (básico, secundário, profissional e superior), em todas as disciplinas; sistema educativo informal, centros e entidades de formação, centros comunitários, ONG´s, autarquias e empresas. 
Partindo de uma análise do contexto socioeconómico atual, verificámos que se impõe oferecer experiências e conteúdos que criem o ambiente necessário para as pessoas, no sentido mais abrangente possível, serem suficientemente flexíveis e, daí decorrentes, abertas a lidar com a mudança, aproveitando, deste modo, a oportunidade para que possam dar-se bem com os desafios com que se deparam a cada dia. Finalizamos reforçando a nossa opção por uma educação em empreendedorismo, o que nos leva, na IncubIT a empenharmo-nos em contribuir com a experiência prática, o aconselhamento, o conhecimento em ação, o capital social, recorrendo a programas conjuntos, procurando proporcionar valor acrescentado, permitindo o aprofundamento dos conhecimentos, seja de forma experiencial, promovendo resultados de qualidade, seja de forma reflexiva, fazendo avançar a teorização. Artigo publicado na Revista Pontos de Vista, 8 de fevereiro de 2012. |