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Augusto Mateus justifica “ajustamento mais intenso” em 70 anos com a “pouca atenção à mudança no mundo”

João Miguel Ribeiro   
Segunda-feira, 28 Janeiro 2013 20:31

augusto mateusAugusto Mateus defende que Portugal vive o “ajustamento mais intenso nos últimos 70 anos”, o maior “em três gerações”. A culpa é da sociedade, argumenta o economista: “virou-se muito para dentro e prestou pouca atenção à capacidade de produzir bens e serviços para o mundo”.

Augusto Mateus explica a crise económica nacional com o deslumbramento provocado por “autoestradas, estádios e centros comerciais”, o que levou a sociedade portuguesa a ignorar que “o mundo mudou”. Sem capacidade para criar riqueza, o país enfrenta “o maior” processo de ajustamento “em três gerações”.

“Nos últimos 70 anos, é o ajustamento mais intenso em termos de sacrifício de nível de vida e de consumo. Este ano vamos ter um nível de consumo global que é 12,3 por cento inferior ao que tínhamos em 2008”, argumentou Augusto Mateus, à margem da iniciativa do seminário “O papel do comércio moderno na retoma económica”.

A responsabilidade desse “intenso” ajustamento deve-se à “crise de competitividade que advém muito de nos termos virado para dentro”, explicou o economista: “a sociedade portuguesa fechou-se muito. Dedicou-se muito a autoestradas, estádios de futebol, a casas, a centros comerciais”, ou seja “virou-se muito para dentro e prestou pouca atenção à sua capacidade de produzir bens e serviços para o mundo e, desse ponto de vista, gerar riqueza”.

Agora que volta a olhar para o mundo, “a dimensão dos problemas é muito maior”, porque a capacidade portuguesa de resposta é menor. “É maior porque o mundo mudou muito e a concorrência aumentou muito. Porque, em Portugal, prestamos pouca atenção a essa mudança no mundo”, reforçou.

Augusto Mateus lembrou ainda que, numa altura em que os economistas apontam as exportações como ‘tábua de salvação’, “os nossos recursos não foram” aplicados na promoção dos sectores de atividade que estão na base das principais exportações nacionais.

“Não podemos escapar aos ajustamentos e não podemos ter estratégias tontas como estratégias financeiras sem dimensão económica e social. Temos de ter uma estratégia económica e social e também financeira”, salientou o economista, acreditando que só em meados de 2014 é que Portugal vai regressar aos níveis de novembro de 2010, a data em que o consumo e a atividade económica entraram em crise devido ao processo de ajustamento.

Augusto Mateus abordou ainda os cortes anunciados para o Estado social, sublinhando que mais importante do que reduzir a despesa é garantir que os setores fundamentais têm futuro. Portugal precisa de “corrigir muita coisa”, admitiu, “mas no essencial temos de equilibrar os nossos direitos com as nossas responsabilidades”, não “para reduzir direitos, mas para que eles durem”.

“Reformas são reformas e produzem poupanças se forem bem feitas”, afiançou o economista.

 

Comissão Europeia engana-se no empréstimo a Portugal: aumento é de 2000 milhões de euros

Miguel Moreira   
Segunda-feira, 28 Janeiro 2013 13:30

olli rehnUm erro colossal da Comissão Europeia (CE). Portugal vai receber apenas mais 2000 milhões de euros – no âmbito do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) –, ao contrário dos 3000 ou 4000 mil milhões. O relatório foi corrigido e o erro de Bruxelas acabou por ser ‘abafado’.

De acordo com a Comissão Europeia, Portugal iria receber uma verba de 3000 a 4000 mil milhões de euros, do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, no âmbito do empréstimo da troika. No entanto, duas semanas depois, sabe-se que essa verba, afinal, não ultrapassará os 2000 milhões.

Trata-se de um erro da CE, que foi entretanto corrigido no seu relatório, que diz respeito ao valor proveniente do FEEF, que ficará no valor que já se tinha previsto.

Este engano terá tido origem no gabinete de Olli Rehn e que terá sido disfarçado, deixando Portugal à espera de 2000 mil milhões de euros que nunca entrariam nos cofres.

Recorde-se que o empréstimo da troika a Portugal foi estabelecido, inicialmente, nos 78 mil milhões de euros. No entanto, esse valor, segundo um relatório da CE, iria subir para cerca de 81 ou 81 mil milhões, em virtude de um aumento dos valores provenientes daquele fundo.

Afinal, somente a tranche do Fundo Monetário Internacional irá aumentar. Portugal irá receber um pouco mais do que o acordado, mas nunca os valores anunciados no passado mês de janeiro por Bruxelas. Um erro colossal.

 

Merkel sugere à Espanha a solução para o desemprego: “tomar medidas que permitam criar empregos”

João Miguel Ribeiro   
Quinta-feira, 24 Janeiro 2013 19:21

angela merkelAngela Merkel, chanceler da Alemanha, sugere à Espanha que tome “medidas que permitam criar empregos de maneira temporária” para evitar uma crise política. Essa crise pode ocorrer devido ao grave problema social que afeta a economia espanhola: um elevado desemprego.

A Espanha pode entrar numa situação de crise política, dada a instabilidade social provocada pelo desemprego. A solução para evitar a alteração da ordem política vem da Alemanha: criar emprego, diz Angela Merkel.

“Vou dar um exemplo: se há uma taxa de 50 a 60 por cento de desempregados na Espanha entre os jovens, ou em Portugal ou na Grécia, a nossa responsabilidade é a de tomar medidas que permitam criar empregos de maneira temporária”, afirmou a chanceler alemã, em Davos (Suíça), quando discursava no Fórum Económico Mundial.

O “exemplo” é dado no mesmo dia em que o instituto de estatísticas de Espanha confirmou novos valores recorde para o desemprego, registados no último trimestre do ano passado: 26 por cento no geral e 60 por cento entre os jovens com menos de 25 anos.

Merkel afirmou basear-se na experiência alemã, estimando que sejam necessários “dois a três anos, ou até quatro”, para que o efeito das reformas seja visível: “é preciso contar com esse intervalo de tempo da melhor forma para evitar uma escalada da situação política que ameaça criar uma nova instabilidade”.

A aposta em medidas de curto prazo para o combate ao desemprego têm a vantagem, argumentou a chanceler alemã, de permitir baixar a taxa de desemprego enquanto as reformas estruturais são implementadas, ao mesmo tempo que evita que os jovens – os principais afetados – fomentem uma instabilidade política em Espanha.

Iene preocupa

Num fórum dedicado à economia, Angela Merkel abordou ainda a “guerra das moedas”, que tem sido ‘fria’ mas pode reacender com a alteração da política monetária do iene. “Devo admitir que não posso dizer não estar preocupada com o Japão neste momento”, confessou Merkel.

A Alemanha criticou as autoridades nipónicas por interferirem na política traçada pelo banco central japonês, podendo contribuir para uma desvalorização ‘falsa’ do iene numa altura em que a China tem sido pressionada para fazer corresponder a moeda nacional ao verdadeiro valor de câmbio.

“A China reagiu favoravelmente e respondeu às nossas demandas com uma certa mudança de política”, sublinhou mesmo a chanceler alemã.

 

Excedente atinge os 900 milhões: Portugal recebe mais do que paga nos negócios com o exterior

João Miguel Ribeiro   
Quinta-feira, 24 Janeiro 2013 14:17

contentoresPortugal negociou bem no terceiro trimestre de 2012: entre o que paga ao estrangeiro e o que recebe por mercadorias e serviços, o país lucrou 900 milhões de euros, de acordo com os dados do Eurostat. No trimestre anterior, a balança comercial tinha dado um prejuízo de 1200 milhões.

Portugal registou um saldo positivo nas trocas comerciais e de serviços com o estrangeiro no terceiro trimestre do ano passado. Depois de dois prejuízos consecutivos, de 1500 milhões no primeiro trimestre e de 1200 milhões no segundo trimestre de 2012, a balança de pagamentos com o exterior atingiu um excedente de 900 milhões de euros, revelou hoje o Eurostat.

Para esta análise, o gabinete de estatísticas da Comissão Europeia tem em consideração todas as transações financeiras referentes a pagamentos por bens, serviços ou salários entre entidades portuguesas e estrangeiras. De fora ficam as transferências realizadas em território nacional, as quais são contabilizadas na balança de pagamentos orçamental.

O setor dos serviços foi o que mais contribuiu para este registo positivo, totalizando um excedente de 3000 milhões de euros, mais 1000 milhões do que no trimestre anterior.

A recuperação do défice na balança de pagamentos com o exterior teve início em 2011, quando o último trimestre fechou com um prejuízo de 2000 milhões de euros. Deste então, o défice foi diminuindo entre cada análise trimestral do Eurostat.

Tendência europeia

Portugal confirmou uma ‘regra’ da Zona Euro, onde a média dos 17 deixou de ser deficitária – 6800 milhões – para atingir um excedente de 28.800 milhões de euros. Outros países periféricos, Grécia, Espanha e Itália, acompanharam a evolução nacional e europeia: de défices de 1900, 2700 e 700 para excedentes de 3000, 1900 e 1000 milhões de euros, respectivamente.

O ‘motor’ da União Europeia, a Alemanha, melhorou os lucros de 37.600 para 41.500 milhões de euros, atingindo um excedente mais de três vezes superior ao ‘segundo classificado’, a Holanda, com ‘apenas’ 12.600 milhões. Curiosamente, pertence ao Reino Unido, uma das maiores economias da União, o défice mais grave: 20.200 milhões de euros, segundo o Eurostat.

 

Gigante da banca alemã despede 6000 trabalhadores para “atingir metas de lucro”

Miguel Moreira   
Quinta-feira, 24 Janeiro 2013 12:55

banco commerzbankUm dos maiores bancos alemães, o Commerzbank, tem em marcha um plano de eliminação de 6000 postos de trabalho, medida que será levada a cabo no próximo quadriénio. A notícia foi divulgada pela Bloomberg, que teve acesso a um comunicado entregue aos trabalhadores.

Os trabalhadores do Commerzbank já receberam a informação de que o segundo maior banco da Alemanha irá eliminar cerca de 6000 postos de trabalho, ao longo dos próximos quatro anos.

De acordo com a televisão norte-americana Bloomberg, que conseguiu consultar esse documento distribuído aos trabalhadores daquele banco, todas as áreas serão afetadas por esta reestruturação dos recursos humanos, um dos maiores despedimentos da história do Commerzbank.

No comunicado enviado aos trabalhadores, um administrador do banco, Ulrich Sieber, aponta a necessidade de “ajustar a estrutura de trabalhadores”, com a finalidade de atingir os objetivos definidos para o lucro, neste quadriénio.

O Commerzbank – que conta atualmente nos seus quadros com mais de 56 mil profissionais – deverá fechar agências e reabri-las noutros países, onde os custos de trabalho sejam menores.

Última atualização: Quinta-feira, 24 Janeiro 2013 12:59
 


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