‘Que se lixe a troika’ promete fazer-se ouvir esta tarde em Conselho de Estado |
| João Miguel Ribeiro | | Segunda-feira, 20 Maio 2013 14:56 | O movimento ‘Que se lixe a troika’ oferece-se como convidado especial do Conselho de Estado desta tarde, marcado para discutir o pós-troika. Os dirigentes convocaram um protesto para as 17h00, em Belém, e querem que o Presidente da República “assuma o seu cargo e demita o Governo”.
Quando os conselheiros de Estado estiverem reunidos esta tarde, a partir das 17h00, o Presidente da República terá de ouvir mais uma opinião: a da rua. O movimento ‘Que se lixe a troika’ convocou um protesto para a frente do Palácio de Belém, onde esta tarde Cavaco Silva analisa em Conselho de Estado o cenário pós-troika. Os manifestantes devem aparecer com objetos barulhentos, como tachos e panelas, para que a sua ‘voz’ seja ouvida em Conselho de Estado, como apelou a organização. Entre os gritos de ordem, será exigido a Cavaco Silva que “finalmente assuma o seu cargo, respeite a constituição e demita o Governo, que está a devastar a vida dos portugueses”, como salientou Helena Romão, uma das signatárias do movimento, citada pela Lusa. “O Presidente da República tem demonstrado cumplicidade total com a política de austeridade, o que é inaceitável da parte de quem deve fazer cumprir a Constituição”, critica o ‘Que se lixe a troika’, que no Conselho de Estado de 21 de setembro de 2012 concentrou milhares de pessoas em frente ao Palácio de Belém. | “Esperamos que não haja greve”, assume ministro da Educação, garantindo que alunos não serão “prejudicados” |
| João Miguel Ribeiro | | Segunda-feira, 20 Maio 2013 14:42 | O anúncio da greve dos professores foi “surpreendente” para o ministro da Educação. Nuno Crato garante que não vai “permitir que os alunos sejam prejudicados” por uma paralisação convocada “sem ter havido um pedido de negociação e sem se estar a meio de algum diálogo”.
O ministro da Educação, Nuno Crato, admitiu ter ficado surpreendido com o anúncio de uma greve pelos professores, marcada para 17 de junho, o primeiro dia dos exames nacionais. A concretizar-se essa paralisação, a tutela só terá uma preocupação, garantiu o dirigente: evitar que os alunos “sejam prejudicados” “A única coisa que eu posso dizer é o seguinte: nós esperamos que não haja greve, discutiremos o que for necessário discutir com os sindicatos e com os representantes dos professores, mas não podemos permitir que os nossos alunos sejam prejudicados. Tudo o resto são especulações”, argumentou. “Especulações” que também contribuíram para o estado “surpreendente” do ministro quando teve conhecimento do anúncio da greve: “é uma declaração um pouco estranha, é um anúncio de greve, uma intenção de greve que surge por parte de alguns sindicatos sem ter havido um pedido de negociação, sem ter havido um outro aviso, sem se estar a meio de algum diálogo, portanto isto é um pouco surpreendente”. Até porque esta semana, continuou Nuno Crato, vai ocorrer “uma discussão com sindicatos no âmbito da reforma da Administração Pública”, na qual o Governo vai apresentar uma convição: “tudo faremos para evitar a mobilidade dos professores”. Já os sindicatos devem levar, entre outros temas, o aumento do horário de trabalho na Função Pública para 40 horas semanais. “Os professores, na realidade, trabalham já 40 horas e muitos trabalham muito mais do que as 40 horas, porque os professores não estão só na sala de aula: corrigem testes, preparam aulas, fazem correcção de exames, têm uma actividade muito intensa. Muitos professores têm já mais de 40 horas de trabalho por semana”, salientou o ministro da Educação. Em Macedo de Cavaleiros, onde visitou uma turma do ensino vocacional, Nuno Crato salientou ainda o esforço da tutela para que “não haja professores” na lista de pessoal a dispensar no âmbito da reforma da Função Pública: “é isso que estamos a fazer em relação aos quadros de zona pedagógica, à fluidez do sistema, de forma a que as insuficiências lectivas de um local sejam colmatas com professores que existam noutros locais, não muito longe, e que possam dar essas aulas e continuar a contribuir para o nosso sistema”. | | Última atualização: Segunda-feira, 20 Maio 2013 14:44 | | Vítor Gaspar “errou demasiado e está desgastado”, afirma Bagão Félix |
| João Miguel Ribeiro | | Segunda-feira, 20 Maio 2013 11:43 | Bagão Félix admite que o papel de Vítor Gaspar à frente das Finanças “está esgotado”. O ex-ministro da tutela, em entrevista ao Económico, lembra a “excelente emissão de dúvida” para argumentar que o ministro “errou demasiado e, neste momento, está desgastado”.
O papel de Vítor Gaspar no Ministério das Finanças “está esgotado”. Quem assim o considera é Bagão Félix, antigo governante da tutela. Os méritos do ministro não o impedem de viver “fora da realidade concreta” em determinadas ocasiões, acrescentou o conselheiro de Estado, numa entrevista ao Diário Económico: “tenho toda a consideração pelo professor Vítor Gaspar, conheço-o, é um homem bastante íntegro, honesto, trabalhador, competente nas suas matérias, mas às vezes, fora da realidade concreta”. Questionado sobre que papel poderia ainda desempenhar Vítor Gaspar, Bagão Félix respondeu: “acho que está esgotado. Teve esta excelente, em parte, emissão da dívida, foi a um preço muito alto, mas era o preço que tínhamos de pagar para entrar no comboio, mas acho que errou demasiado e, neste momento, está desgastado”. No exterior, Vítor Gaspar tem “uma notoriedade e confiança muito forte desde o ministro das Finanças alemão, até às entidades europeias e os nossos credores principais”, só que “internamente já não é assim”, argumentou ainda o ex-ministro. | Para os políticos, eleitores são “estúpidos que não percebem nada”, diz Soares dos Santos |
| João Miguel Ribeiro | | Sexta-feira, 17 Maio 2013 17:25 | Soares dos Santos, patrão da Jerónimo Martins, diz como é que os políticos pensam nos eleitores “do outro lado da televisão” como “uma cambada de estúpidos que não percebem nada”. E deixa o exemplo dos Conselhos de Estado: “não somos informados sobre o que se passa”.
O presidente do conselho de administração de uma das maiores exportadoras portuguesas, a Jerónimo Martins, deixou hoje fortes críticas aos políticos e aos partidos. Numa entrevista à Antena 1, Soares dos Santos criticou os primeiros por pensarem nos eleitores como “uma cambada de estúpidos” e os segundos de só “pensar nas eleições”. “Todos” os partidos políticos são iguais numa sitação, afirmou o empresário: “eles só estão a pensar nas eleições”. Quanto aos políticos em si, “pensam que do outro lado da televisão está uma cambada de estúpidos que não percebem nada”, o que só prejudica a própria classe política: “esses estúpidos percebem exactamente que eles estão a mentir, que não estão a ser sérios, e que estão a desacreditar-se a si próprios”. Um exemplo dessa situação ocorre desde o mais alto nível, com o líder da Jerónimo Martins a usar o exemplo da Presidência da República: “quando há um Conselho de Estado, onde se discutem matérias de grande importância para o país, nós não somos informados sobre o que se passa”. Com este distanciamento cada vez maior entre eleitores e eleitos começa a formar-se uma nova sociedade que, diz Soares dos Santos, “não sei se é melhor ou pior”. | |